Internacional

Rússia pode avançar “uma ampla gama de ações agressivas contra a Ucrânia”, ciberataques ou golpe de Estado, avisa a NATO

28 janeiro 2022 22:34

Um soldado ucraniano patrulha uma trincheira aberta junto à linha da frente com as forças separatistas apoiadas pela Rússia. Foto: Anatolii Stepanov/AFP/Getty Images

Secretário-geral da aliança militar prepara um encontro em fevereiro entre ministros da Defesa dos países aliados, e adverte que “temos de estar preparados” para uma ofensiva violenta do lado da Rússia

28 janeiro 2022 22:34

A Rússia pode executar uma “ampla gama” de atos violentos contra a Ucrânia, como ciberataques, um golpe de Estado ou sabotagem referiu esta sexta-feira o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

A Aliança Atlântica ainda não sabe o que o Kremlin pode fazer contra o país vizinho, mas, durante uma conferência organizada pelo ‘think tank’ norte-americano Atlantic Council, Jens Stoltenberg listou as diferentes opções ao dispor da Rússia.

“Os ciberataques são uma [das opções], tal como tentativas de golpe [de Estado] para derrubar o governo em Kiev, ou sabotagem – eles têm agentes de inteligência a trabalhar na Ucrânia atualmente. Portanto, temos que estar preparados para uma ampla gama de ações agressivas contra a Ucrânia”, referiu.

O responsável da NATO manifestou-se, ainda assim, relutante em “ir mais além na especulação”, porque defende que este é o momento de “aliviar as tensões”.

“Convidamos a Rússia a sentar-se e iniciar o diálogo para evitar este tipo de cenário e encontrarmos uma solução política”, lembrou.

O Ocidente acusa há semanas a Rússia de ter concentrado mais de 100.000 soldados junto à fronteira com a Ucrânia, com vista a uma eventual invasão daquela ex-república soviética, ameaçando Moscovo com sanções sem precedentes em caso de uma ofensiva.

A NATO promoveu várias reuniões perante esta ameaça e prepara outra, entre 16 e 17 de fevereiro, para um encontro entre ministros da Defesa dos países aliados.

Jens Stoltenberg admitiu que “existem diferenças entre os Aliados” quanto ao apoio a ser dado à Ucrânia, que não é membro da Aliança Atlântica.

Os Estados Unidos, o Reino Unido ou o Canadá têm fornecido armas e treino militar, enquanto outros países, como a Alemanha, não.

“Não há certezas sobre as intenções da Rússia. Do lado da NATO, estamos preparados para promover o diálogo político. Mas também estamos prontos para responder caso a Rússia decida avançar para um conflito armado. Estamos preparados para ambas as opções”, garantiu Stoltenberg.

A Rússia tem negado a intenção de invadir o país vizinho, mas disse sentir-se ameaçada pela expansão de 20 anos da NATO ao Leste europeu e pelo apoio ocidental à Ucrânia.

Moscovo exigiu o fim da política de expansão da NATO, incluindo para a Ucrânia e a Geórgia, a cessação de toda a cooperação militar ocidental com as antigas repúblicas soviéticas e a retirada das tropas e armamento dos aliados para as posições anteriores a 1997.

Os Estados Unidos e a NATO rejeitaram formalmente, na quarta-feira, as principais exigências de Moscovo, mas propuseram a via da diplomacia para lidar com a crise.

Em particular, abriram a porta a negociações sobre os limites recíprocos da instalação dos mísseis de curto e médio alcance das duas potências nucleares rivais na Europa, e sobre exercícios militares nas proximidades das fronteiras do país adversário.

Embora o conteúdo da resposta dos aliados seja desconhecido, o Kremlin admitiu que “há poucos motivos para otimismo”, uma vez que a NATO considera a sua política de porta aberta não negociável, embora não tenha excluído novas rondas de negociações com o Ocidente.