Internacional

EUA: chefe de espionagem diz que informações secretas e confidenciais “enfraquecem” a segurança

28 janeiro 2022 9:38

Foto: Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images

Avril Haines considera que o uso abusivo de informações classificadas “corrói a confiança dos cidadãos nas instituições”

28 janeiro 2022 9:38

A principal dirigente dos serviços de informações dos EUA, Avril Haines, considera que o uso abusivo da classificação de informação é prejudicial à segurança nacional dos EUA, em carta dirigida a congressistas, divulgada na quinta-feira.

O sistema de classificação, que leva a atribuir a categoria de ‘confidencial’ ou ‘secreto’ a uma quantidade enorme de informação, coloca “um problema fundamentalmente importante” e deve ser alterado, considerou Haines, em carta, datada de 5 de janeiro, destinada aos senadores Ron Wyden, democrata, e Jerry Moran, republicano.

“A minha opinião é que o sistema atual de classificação enfraquece a nossa segurança nacional” e “corrói a confiança dos nossos cidadãos nas instituições”, acrescentou, salientando que o abuso da classificação impede a partilha de informações vitais com serviços de informações aliados, congressistas-chave e o público.

Haines, que chefia a Direção das Informações Nacionais (DNI, na sigla em Inglês), que é o ‘chapéu’ dos 17 serviços de informações norte-americanos, respondia a pressões dos dois senadores para uma reforma deste sistema, que afeta o trabalho de centenas de milhares de funcionários e subcontratados dos EUA.

Para os analistas, classificar um documento como ‘secreto’ é a escolha que é feita por definição, por numerosos serviços governamentais, porque isso é mais fácil de fazer do que saber se é arriscado publicar esta ou aquela informação.

E os responsáveis políticos escolhem com frequência classificar informações que poderiam revelar-se embaraçantes.

“Há muito tempo que a classificação abusiva por Washington impede a população de compreender as ações do governo e interfere com os esforços para fazer os responsáveis prestarem contas”, considerava no mês passado uma perita do tema, Elizabeth Goitein, em uma iniciativa da Foreign Policy no Brennan Center.

Um dos exemplos mais recentes é a opacidade mantida pelos militares sobre a situação no Afeganistão, no último ano da intervenção dos EUA no país.

Quando era preciso avaliar o exército afegão, “os militares mudavam de objetivos para que fosse mais fácil reivindicar um sucesso. E quando não o podem fazer, classificam os objetivos”, sublinhava em agosto o inspetor-geral encarregado pelo Congresso de supervisionar a ação dos EUA no Afeganistão, John Sopko. Dias mais tarde, o exército afegão implodia perante o avanço dos talibãs.