Internacional

“Chega de jornalistas assassinados”: Protestos históricos no México após homicídio recente de mais três repórteres

26 janeiro 2022 21:01

Jornalistas assassinados no México geram onda de protestos. Foto: Miguel Sierra/EFE/EPA

Desde 2000, foram 143 os jornalistas assassinados no país, já considerado “o mais mortífero do mundo para a imprensa”. Depois dos casos mais recentes, a classe veio para a rua, exigir que o Governo investigue e ponho cobro à situação

26 janeiro 2022 21:01

O México vive uma histórica mobilização de jornalistas em protesto contra o perigo que se vive na sua profissão. Milhares de jornalistas de todos os 32 estados do país vieram às ruas, em manifestações que tiveram lugar em 47 cidades mexicanas, pelas mortes violentas que estão a ocorrer na sua classe, exigindo uma ação efetiva do Governo para pôr cobro à situação.

As mortes mais recentes foram as da jornalista Lourdes Maldonado, que supostamente devia ter proteção do Governo (ao abrigo do Programa de Proteção a Jornalistas da Baixa Califórnia) e foi assassinada a tiro perto da sua casa, em Tijuana, a 23 de janeiro.

Também em Tijuana já tinha sido morto o fotojornalista Margarito Martínez a 17 de janeiro, baleado ao entrar no seu carro, e uma terceira morte no país este mês foi a de José Luis Gamboa Arenas, assassinado a 10 de janeiro no estado de Veracruz, a leste do México.

“Basta de jornalistas assassinados” ou “No México reportagem mata” foram alguns dos slogans entoados no protesto nacional de jornalistas em manifestações pacíficas, exigindo justiça. A maioria das mobilizações ocorreram na terça-feira à noite, com velas acesas e os participantes vestidos de preto, exibindo fotos dos jornalistas assassinados.

O Governo do México já informou que, por “instrução presidencial” , enviou uma equipa especializada à cidade de Tijuana, no estado da Baja California, para avançar investigações sobre o assassinato dos dois jornalistas registados na semana passada.

Desde 2000, 143 jornalistas foram assassinados no país, 28 deles desde 2018 no mandato do atual presidente, Andrés Manuel López Obrador. Os sistemas federais também dão conta que a cada 12 horas é registado um ataque à imprensa no México.

Os gritos desesperados face à crescente onda de violência contra jornalistas que se agravou desde a chegada do presidente López Obrador ao governo fizeram-se sentir nos protestos desta terça-feira, destacando-se como uma das maiores manifestações a que ocorreu na Cidade do México, com centenas de pessoas a protestar em uníssono junto ao edifício do Ministério do Interior, numa ação nunca vista até ao momento.

“A violência contra a imprensa é um dos problemas históricos que a sociedade mexicana tem enfrentado e, infelizmente, está em ascensão”, enfatizou um dos manifestantes na Cidade do México, Juan Vázquez, à agência EFE, salientando que “as ações do Estado revelam boa vontade, mas não têm sido suficientes”.

Além da manifestação que ocorreu na Cidade do México, outra das mais marcantes, pelo número de jornalistas e ativistas presentes, aconteceu em Guadalajara, com os protestos a exigir ações de justiça urgentes face ao caso dos três repórteres assassinados em janeiro.

Pelo menos sete jornalistas foram assassinados no México em 2021, segundo os Repórteres Sem Fronteiras, tornando o país no “mais mortífero do mundo para a imprensa”.

Recorde-se que o México se tornou particularmente perigoso para jornalistas que relatam casos anti-corrupção desde que o país ascendeu no patamar do narcotráfico global, com o enfraquecimento dos cartéis de droga em Medellín, na Colômbia na década de 90.