Internacional

Guatemala condena ex-militares a 30 anos de prisão por violarem mulheres indígenas durante a guerra civil

25 janeiro 2022 20:02

Mulheres maias foram alvo de abuso de ex-soldados na Guatemala Foto: Robin Canfield/Unsplash

Cinco ex-soldados das Patrulhas Civis de Autodefesa foram condenados pelo mais alto tribunal do país por abusarem das mulheres de forma violenta. Algumas foram mesmo mortas. O juíz, considerou estarem em causa “crimes contra a humanidade”

25 janeiro 2022 20:02

O mais alto tribunal da Guatemala condenou cinco ex-paramilitares a 30 anos de prisão por violarem dezenas de mulheres indígenas maias durante a guerra civil do país, na década de 1980.

Segundo noticia a BBC, os ex-soldados agora condenados eram membros das chamadas Patrulhas Civis de Autodefesa, grupos armados apoiados pelos militares. As suas 36 vítimas tinham entre 12 e 52 anos quando os crimes aconteceram.”Houve massacres, e muitas mulheres foram violadas, é a dor que temos no nosso coração”, salientou uma sobrevivente, Antonina Vale, citada pela BBC.

No conflito que durou de 1960 a 1996, cerca de 200 mil pessoas morreram ou ficaram desaparecidas, na sua maioria de grupos indígenas, que foram alvos do exército e de paramilitares de direita, acusados ​​de apoiar guerrilheiros de esquerda.

O julgamento dos ex-militares durou três semanas na Suprema Corte da Cidade da Guatemala, com depoimentos de sobreviventes e parentes das vítimas do grupo indígena Achi. Para o juiz do processo, Gervi Sical, tratou-se de “crimes contra a humanidade”.

As violações das mulheres ocorreram perto da vila de Rabinal, a norte da capital, área que foi fortemente atacada durante a guerra e tem uma vala comum com os corpos de mais de três mil pessoas, segundo destaca a BBC. 

“O que aconteceu com as nossas vidas e os nossos corpos não é justo. Fui violada quando estava grávida de sete meses, e perdi meu filho. A minha mãe foi violada quando estava grávida de oito meses e mataram-na, deixaram-na pendurada em casa”, relata Máxima Garcia, outra sobrevivente.

O alto comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ONU) na Guatemala considerou que a sentença foi um “avanço marcante no acesso aos direitos à verdade, justiça e reparação para mulheres vítimas de violência sexual” durante a guerra.

Em 2016, também dois ex-militares tinham sido condenados a 360 anos de prisão pelo assassinato, violação e escravidão sexual de mulheres indígenas de origem maia.