Internacional

Rússia acusa EUA de concentrarem força militar multinacional no mar Negro

9 novembro 2021 18:50

vadim savitsky/getty images

A Rússia pensa que a presença militar dos Estados Unidos no Mar Negro são "ações não planeadas" e que o seu principal objetivo é "o controlo militar do território da Ucrânia"

9 novembro 2021 18:50

O Ministério da Defesa russo acusou esta terça-feira os Estados Unidos de concentrarem uma força militar multinacional no Mar Negro, perto da zona costeira russa, que Moscovo considera um "fator de desestabilização" na região da fronteira com a Ucrânia.

"Estas são ações não planeadas das forças dos EUA que criam um grupo multinacional de Forças Armadas nas imediações das fronteiras russas", disse o general Igor Konashenkov, porta-voz militar russo, numa declaração oficial.

Outro objetivo do aumento da presença militar dos países da NATO no Mar Negro seria, adiantou, o "controlo militar do território da Ucrânia".

Rússia diz que é uma "provocação"

Konashenkov denunciou a presença nos portos da Geórgia do USS Mount Whitney, navio de bandeira da Sexta Frota norte-americana, do contratorpedeiro USS Porter, que entrou no Mar Negro no final de outubro, e do petroleiro John Lenthall.

O general alertou que nas manobras aliadas vão participar contingentes da Turquia, Ucrânia, Bulgária, Geórgia e Roménia e que é "óbvio" que procuram estudar um possível "teatro de operações no caso de Kiev preparar uma solução militar no sudeste" do país, em referência a Donbass.

Além disso, relatou voos efetuados por dois bombardeiros estratégicos B-1B da Força Aérea norte-americana, na área a cerca de 100 quilómetros da fronteira russa.

Recentemente, o ministro da Defesa, Serguei Shoygu, considerou possível "qualquer provocação" por parte da NATO, que associou a tentativas de pôr à prova os sistemas de defesa da Rússia no Mar Negro, e adiantou que a frota russa vai também realizar exercícios na zona.

Putin ordena reforço da defesa aerospacial

Na semana passada, o Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o reforço da defesa aeroespacial face ao avanço da NATO em direção às fronteiras do país e ao aumento da presença da frota aliada no Mar Báltico e no Mar Negro.

No dia 4 de novembro, por ocasião do feriado nacional (Dia da Unidade Nacional), Putin visitou a anexada península da Crimeia, que proclamou que será russa para sempre.

Na segunda-feira, os Estados Unidos instaram a Rússia a ser "clara" sobre os seus últimos movimentos na fronteira ucraniana, onde, segundo Kiev, cerca de 90.000 militares russos estão concentrados.

A Rússia também reuniu um grande número de tropas na região em abril, mas após as críticas da Ucrânia e da NATO sobre uma possível intervenção militar, Moscovo retirou a maior parte dessas unidades.