Internacional

“Síndrome de turbina”: Justiça francesa considera que casal ficou doente por causa da instalação de parque eólico

8 novembro 2021 19:04

eric cabanis/ getty images

Dores de cabeça constantes e insónias foram algumas das consequências que o casal teve pouco depois de um parque eólico ter sido instalado junto a sua casa. O som, descrevem, “era comparável a uma máquina da roupa continuamente a torcer”

8 novembro 2021 19:04

A Justiça francesa chamou-lhe “síndrome de turbina”, mas durante quase dois anos Christel e Luc Fockaert chamaram-lhe dores de cabeças constantes, insónias, arritmia cardíaca, tonturas, zumbidos e náuseas. Todos estes problemas começaram quando a poucos metros da sua casa, no sul de França, foi construído um parque eólico. O casal demorou a perceber a causa mas quando identificou a origem avançou com um processo em tribunal. Agora ganhou e vai ser indemnizado em 100 mil euros.

“Não percebemos de imediato mas dia após dia fomos percebendo que o problema vinha das turbinas. Os flashes das turbinas a cada dois segundos… Tivemos de pôr luzes no exterior da nossa casa para neutralizar o efeito dos flashes”, descreveu Christel Fockaert ao jornal britânico “The Guardian”.

A decisão do tribunal de Toulouse acontece depois de um outro tribunal já ter negado a relação entre as turbinas e os problemas de saúde do casal belga. De acordo com a imprensa local, acredita-se que seja a primeira vez que um caso destes tenha um desfecho a favor dos queixosos.

“Este é um caso invulgar e, tanto quanto sei, esta é uma decisão sem precedentes. Este caso não pode ser replicado. Este parque eólico causou um incómodo invulgar devido à sua configuração mas cada caso é diferente e devem ser todos examinados de forma diferente”, disse à televisão francesa a advogada do casal, Alice Terrasse.

O parque eólico com seis turbinas foi construído a cerca de 700 metros da casa de Christel e Luc Fockaert em Fontrieu in the Tarn, no sul de França e a uma centena de quilómetros de Toulouse. A especificidade deste caso é o facto de a floresta entre a primeira turbina e a casa ter sido destruída, deixando um descampado entre os dois pontos.

O som que ouviam diariamente “era comparável a uma máquina da roupa continuamente a torcer”, descreveu o casal.

Christel e Luc Fockaert asseguram que todos os problemas de saúde desapareceram quase de imediato após mudarem de casa em 2015. Já a Sasu, Margnes Energie and Sasu Singladou Energie, a empresa que gere aquele parque eólico, foi condenada a pagar e assegura que desde que o processo chegou à Justiça já mudou as luzes e a velocidade das seis turbinas.