Internacional

Antigo chefe da segurança pessoal de Macron condenado a um ano de prisão efetiva

5 novembro 2021 18:17

Um tribunal de Paris considerou Alexandre Benalla, 30 anos, culpado de violência deliberada no incidente de 2018 na capital -- durante as celebrações do 1.º de maio e onde Emmanuel Macron não estava presente - e também por porte ilegal de arma numa iniciativa de campanha eleitoral do Presidente francês, em 2017

5 novembro 2021 18:17

Um ex-chefe da segurança pessoal do Presidente francês, que gerou polémica ao agredir um manifestante em maio em 2018, foi condenado esta sexta-feira a três anos de prisão, um com pulseira eletrónica e dois com pena suspensa.

Um tribunal de Paris considerou Alexandre Benalla, 30 anos, culpado de violência deliberada no incidente de 2018 na capital -- durante as celebrações do 1.º de maio e onde Emmanuel Macron não estava presente - e também por porte ilegal de arma numa iniciativa de campanha eleitoral do Presidente francês, em 2017.

Benalla, que até 2018 foi responsável pela segurança pessoal de Macron, foi ainda condenado por uso ilegal de passaportes diplomáticos depois de deixar de trabalhar para Macron.

O antigo assessor de segurança, que passará os próximos 12 meses em prisão domiciliária em casa da mãe, foi ainda condenado a pagar 500 euros de multa e ficou proibido de exercer cargos públicos nos próximos cinco anos. O tribunal de Paris ordenou igualmente a apreensão da sua arma pessoal.

As ações de Benalla e a forma como o gabinete de Macron respondeu ao caso causaram a primeira crise política do Presidente francês.

Ao anunciar a sentença, a juíza Isabelle Prevost-Desprez disse que Benalla demonstrou "omnipotência e um sentimento de impunidade, semeou dúvidas sobre a liderança do Eliseu e prejudicou a imagem da Presidência".

No centro da polémica estava o papel obscuro de Benalla no Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, onde um contingente de segurança da polícia está encarregue de proteger o chefe de Estado.

O caso, que desencadeou uma intensa cobertura da imprensa e um inquérito parlamentar televisionado, colocou os principais funcionários do Eliseu, normalmente invisíveis para o público, no centro das atenções.

As críticas centraram-se no motivo pelo qual o então assessor de segurança usou violência contra o manifestante no confronto no "1.º de maio" de 2018, enquanto a polícia observava. Benalla estava supostamente na manifestação como observador.

"Foi uma guerra", defendeu-se Benalla durante a investigação, insistindo que, como observador, não tinha intenção de agir com violência, mas que interveio porque era seu dever cívico. "O senhor envergonha o trabalho de um polícia", disse hoje a juíza Prevost-Desprez, ao dirigir-se a Benalla no tribunal.

No final de 2018, a imprensa francesa revelou que Benalla possuía dois passaportes diplomáticos, utilizados para viagens a países africanos, após ter sido despedido do seu cargo no palácio presidencial.

O antigo chefe da segurança pessoal de Macron não falou durante a leitura da sentença e, à saída do tribunal, também não prestou declarações aos jornalistas.