Internacional

ONU denuncia dezenas de assassínios de jornalistas em 2020

3 novembro 2021 10:05

Ruhollah Zam, crítico do regime iraniano, vivia exilado em França quando foi atraído ao Irão por uma cilada montada pelos Guardas da Revolução

ali shirband / afp / getty images

No ano passado, 62 jornalistas foram assassinados por fazerem o seu trabalho, denunciou a Unesco, agência da Organização das Nações Unidas para a Ciência, Cultura e Educação

3 novembro 2021 10:05

No ano passado, 62 jornalistas foram assassinados apenas por fazerem o seu trabalho. O número surge num comunicado da agência da Organização das Nações Unidas para a Ciência, Cultura e Educação (Unesco, na sigla inglesa). A entidade acrescenta que entre 2006 e 2020 o total de profissionais assassinados a fazer jornalismo ascende a 1200.

No Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, assinalado na terça-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, salientou que muitos jornalistas perderam a vida enquanto cobriam conflitos, mas o número de vítimas fora das zonas de conflito está a aumentar. Em muitos países, só por investigarem corrupção, tráficos, violações dos direitos humanos ou problemas ambientais os jornalistas ficam com as vidas em risco."

O chefe da ONU salientou que os crimes contra os jornalistas têm enorme impacto na sociedade, porque impedem as pessoas de tomarem decisões informadas. No mesmo dia, a One Free Press Coalition divulgou a sua lista mensal com 10 casos prioritários, todos relativos a jornalistas assassinados e cujos autores não foram levados à justiça. Esta coligação de meios salientou que 81% dos assassínios de jornalistas nos últimos 10 anos estão impunes, segundo o índice de Impunidade Global, do Comité de Proteção de Jornalistas.

A lista da One Free Press Coalition relativa a novembro inclui os jornalistas Roohollah Zam (iraniano), enforcado em dezembro de 2020, Tara Singh Hayer (canadiano), morto a tiro na sua garagem em Vancôver, em 1998, Valério Luís de Oliveira (brasileiro), assassinado a tiro em 2012, Regina Martina Pérez (mexicana), assassinada em 2012, Nikolai Andrushchenko (russo), assassinado em 2017, Sardasht Osman (iraquiano), assassinado em 2010, Ahmed Hussein-Suale Divela (ganês), assassinado em 2019, Sisay Fida (etíope), assassinado este ano, Gauri Lankesh (indiano), assassinada à entrada de casa em 2017, e Sagal Salad Osman (somali), assassinada em 2016, à saída do campus universitário.

Entre as dezenas de associados da One Free Press estão as agências Bloomberg, Efe, Reuters e AP, a televisão Al-Jazeera, os meios europeus Corriere Della Sera, De Standaard, Deutsche Welle, Süddeutsche Zeitung e EURACTIV, os económicos Financial Times, Forbes e Fortune, a revista “Time” ou The Washington Post. A One Free Press tem como parceiros o Comité de Proteção dos Jornalistas e a Fundação Internacional das Mulheres nos Meios.