Internacional

Número de mortos do colapso de um edifício de luxo na Nigéria subiu para 21

3 novembro 2021 15:47

anadolu agency/getty images

O colapso de um edifício em construção na cidade de Lagos, na Nigéria, já fez 21 mortos segundo o governador do estado. Setenta civis continuam desaparecidos nos escombros

3 novembro 2021 15:47

O número de mortos devido ao colapso de um edifício em construção na cidade de Lagos, na Nigéria, subiu para 21, disse hoje o governador do estado, enquanto as equipas de salvamento continuam a procurar sobreviventes nos escombros.

Nove pessoas tinham sido resgatadas até terça-feira, mas esta quarta-feira não foram encontrados novos sobreviventes.

O governador Babajide Sanwo-Olu disse que não era claro por quanto tempo a missão de salvamento iria continuar.

"Não há nenhum pilar, sob qualquer forma, que contenha alguma coisa", disse o governador em relação aos restos mortais no edifício, pedindo às famílias que mantenham a esperança.

Não se sabe quantas pessoas podem estar ainda presas dentro dos escombros, mas um trabalhador da construção civil no local estimou que havia cerca de 100, deixando potencialmente 70 por encontrar.

O edifício em construção de apartamentos de luxo de 21 andares colapsou na segunda-feira e os empregados demoraram várias horas a lançar a missão de salvamento.

As autoridades prenderam o proprietário do imóvel, de acordo com relatos da imprensa, afirmando que a sua licença de construção só permitia uma estrutura de 15 andares.

À entrada do complexo, foram criados balcões de ajuda para as pessoas forneçam nomes e fotografias dos seus parentes, ou amigos que acreditam estar a trabalhar no local quando a estrutura se desmoronou.

Havia também um balcão de ajuda para aconselhamento e apoio de familiares perturbados, muitos dos quais se encontravam à espera de novidades à beira da estrada.

O pai de um dos trabalhadores, Abel Godwin, viajou 722 quilómetros da capital do país, Abuja, para procurar o seu filho de 18 anos que trabalhava no local.

Após chegar a Lagos às 02h locais, visitou o hospital governamental onde as vítimas estão a ser tratadas.

"Não puderam permitir-me verificar se o meu filho está vivo ou morto", lamentou.

Dezenas de familiares expressaram raiva e frustração pela sua incapacidade de conhecer o destino dos seus familiares.

O governo do estado de Lagos criou uma investigação independente para determinar a causa do acidente e para perceber se os promotores do projeto tinham cumprido integralmente as leis de construção.

Também se pretende investigar se houve falhas por parte dos reguladores estatais na supervisão do projeto.

"As pessoas estão de facto perturbadas, as pessoas estão zangadas. Posso assegurar-vos que estamos a fazer tudo", disse o governador.

Os edifícios em colapso são uma tragédia comum na Nigéria, o país mais populoso de África, onde milhões de pessoas vivem em edifícios mal construídos e as leis de construção são "rotineiramente desprezadas".

Numa das piores catástrofes deste tipo, o edifício de uma igreja ruiu em 2014 em Lagos, matando mais de 100 pessoas, na sua maioria sul-africanos.

Uma investigação posterior revelou que o edifício tinha sido construído ilegalmente e apresentava defeitos estruturais.

Dois anos mais tarde, 60 pessoas morreram quando o telhado de uma igreja evangélica ruiu em Uyo, a capital do estado de Akwa Ibom, no leste do país.