Internacional

Bósnia enfrenta “a maior ameaça existencial do período pós-guerra”, alerta alto representante internacional

2 novembro 2021 17:24

Soldados da EUFOR fazem um exercício em Sarajevo, Bósnia-Herzegovina

fehim demir

Christian Schmidt, que é o alto representante para a Bósnia-Herzegovina, diz que a ameaça dos separatistas sérvios de criar o seu próprio exército, dividindo as forças armadas nacionais em duas, pode reacender o conflito no país

2 novembro 2021 17:24

O representante-chefe da comunidade internacional na Bósnia advertiu que o país está em perigo iminente de rutura. Christian Schmidt diz que a ameaça dos separatistas sérvios de criar o seu próprio exército pode reacender o conflito na Bósnia-Herzegovina.

Num relatório à ONU visto pelo "The Guardian", Christian Schmidt, que é o alto representante para a Bósnia-Herzegovina, alertou que se os separatistas sérvios recriassem o seu próprio exército, dividindo as forças armadas nacionais em duas, teriam de ser enviados mais soldados internacionais para manter a paz e impedir o reacender de uma nova guerra.

“Se a força armada da Bósnia-Herzegovina se dividisse em dois ou mais exércitos, o nível da presença militar internacional exigiria uma reavaliação”, advertiu o alto representante. A Bósnia enfrenta “a maior ameaça existencial do período pós-guerra (...) As perspetivas de uma maior divisão e conflito são muito reais”, avisou ainda.

Os deveres internacionais de manutenção da paz na Bósnia-Herzegovina são atualmente a tarefa de uma força da União Europeia, a EUFOR. A NATO também mantém um quartel-general em Sarajevo (capital).

Os avisos de Schmidt foram feitos quando o Conselho de Segurança da ONU estava a preparar a sua resolução anual, renovando o mandato de manutenção da paz para a EUFOR e NATO, com uma votação já nesta quarta-feira.

No entanto, a Rússia ameaça bloquear essa resolução, a menos que todas as referências ao alto representante sejam removidas, o que pode minar a autoridade de Schmidt como supervisor do acordo de paz (acordo de Dayton, assinado em 1995).