Internacional

Sudão. Secretário-geral da ONU pede "contenção" a militares em manifestações de sábado

29 outubro 2021 18:02

Protestos em Cartum, no Sudão

mohammed abu obaid

Pelo menos oito manifestantes foram mortos e mais de 170 ficaram feridos em confrontos com as forças de segurança desde o golpe liderado pelo general Abdel-Fattah al-Burhan

29 outubro 2021 18:02

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou esta sexta-feira aos militares do Sudão para exercerem "contenção" durante os protestos que são esperados para sábado, na capital, onde opositores ao golpe militar esperam mobilizar uma grande multidão.

"Apelo aos militares para que deem mostras de contenção e não causem mais baixas. As pessoas devem poder manifestar-se pacificamente", disse Guterres, numa conferência de imprensa antes da abertura da cimeira do G20, em Roma, citado pela agência France-Presse.

De acordo com médicos, pelo menos oito manifestantes foram mortos e mais de 170 ficaram feridos em confrontos com as forças de segurança desde o golpe liderado pelo general Abdel-Fattah al-Burhan, na segunda-feira. Os opositores ao golpe esperam "um milhão" de sudaneses nas ruas de Cartum no sábado.

O general Al-Burhan, chefe das Forças Armadas sudanesas, anunciou na segunda-feira na televisão estatal do país a dissolução do governo e do Conselho Soberano -- o mais alto órgão executivo do país --, a suspensão de vários pontos da carta constitucional aprovada em agosto de 2019 e que estabelece um roteiro para a realização de eleições, e a instauração do estado de emergência.

A tomada de poder pelos militares foi amplamente condenada pela comunidade internacional e seguiu-se a semanas de crescente tensão política no país, intensificadas como uma tentativa de golpe de Estado em 21 de setembro último. Esforços de membros civis do Governo em reformar o setor da segurança no país geraram uma forte reação dos militares, inclusive de Al-Burhan.

Os militares deixaram de participar em reuniões conjuntas com membros civis, o que atrasou, por exemplo, a aprovação por parte do Conselho de Ministros de entregar o antigo ditador Omar al-Bashir e outros dois responsáveis do regime deposto em abril de 2019 ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Nas primeiras horas de 25 de outubro, os militares prenderam pelo menos cinco ministros, bem como outros funcionários e líderes políticos, incluindo o primeiro-ministro Abdalla Hamdok, levando-os para um local não revelado.