Internacional

Presidente de Taiwan confirma presença militar dos Estados Unidos na ilha

28 outubro 2021 5:46

Em setembro de 2021 soldados taiwaneses realizaram exercícios anuais de treino contra a putativa invasão chinesa

ann wang/reuters

Tsai Ing-wen confirmou pela primeira vez que os Estados Unidos têm militares em Taiwan. Revelação surge numa semana em que se repetiram avisos de Washington a Pequim sobre a tensão crescente no mar do Sul da China

28 outubro 2021 5:46

A Presidente de Taiwan confirmou esta quinta-feira, pela primeira vez, que os Estados Unidos têm presença militar na ilha, “para treinar tropas taiwanesas”. Tsai Ing-wen corrobora assim informações recentemente publicadas pela imprensa norte-americana.

Em entrevista à cadeia televisiva norte-americana CNN, Tsai destacou que há uma “ampla gama de cooperação” com Washington para “aumentar a capacidade de defesa” de Taiwan, mas evitou especificar o número de soldados destacados, limitando-se a dizer que são “menos do que se acredita”. No início deste mês, o jornal “The Wall Street Journal” revelou que um destacamento formado por cerca de vinte membros das forças especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais está destacado na ilha há pelo menos um ano, para treinar o Exército local.

Na semana passada, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou que o seu país “tem o compromisso” de defender militarmente Taiwan, caso a China decida atacar. Em entrevista à CNN, Tsai afirmou ter “fé que os Estados Unidos defenderão” a ilha nessa circunstância.

Ameaça de Pequim “cresce a cada dia”.

Nas últimas semanas a China aumentou incursões aéreas perto de Taiwan, o que fez com que a tensão entre Taipé e Pequim aumentasse para o nível mais alto em quatro décadas, segundo o ministro de Defesa taiwanês. A Presidente da ilha garantiu a sua disponibilidade para “coexistir pacificamente” e encontrar-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, pois a seu ver “mais comunicação ajudaria a reduzir os mal-entendidos” entre as duas partes.

Terça-feira o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken (equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros), encorajou todos os estados-membros das Nações Unidas a unirem-se a Washington “para apoiar uma coordenação forte e significativa de Taiwan em todo o sistema da ONU e na comunidade internacional”. A China defende que o território não tem esse direito. Blinken argumentou que Taiwan é uma “história de sucesso democrático” e um “parceiro valioso” e “amigo de confiança” dos Estados Unidos.

China e Taiwan vivem como territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. O nome oficial de Taiwan é República da China. Já Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso Taiwan declare formalmente a independência.

Avisos de Joe Biden

Esta quarta-feira Biden criticou as ações “coercivas” da China no estreito de Taiwan, numa mensagem dirigida à cimeira de países da região do Pacífico asiático em que participa o primeiro-ministro chinês. O líder americano enviou uma mensagem gravada em vídeo na qual afirma que os Estados Unidos estão “profundamente preocupados”, com a situação no estreito, que separa a China continental de Taiwan.

Biden visou ainda as ambições marítimas de Pequim, frisando que os Estado sUNidos estão “totalmente comprometidos” com a defesa da “liberdade de navegação, das vias navegáveis abertas e da circulação comercial sem entraves, incluindo no mar do Sul da China”. A tensão na região tem crescido com a multiplicação de incursões aéreas de aviões chineses nas proximidades de Taiwan.

Essas ações “ameaçam a paz e a estabilidade regionais”, acrescentou Biden na cimeira, que este ano se realiza de forma virtual, devido à pandemia de covid-19. Nela participam, entre outros, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, assim como o Presidente russo, Vladimir Putin, e os líderes da Coreia do Sul e do Japão.