Internacional

Junta militar que tomou o poder na Guiné-Conacri anuncia abertura de todas as fronteiras do país

14 setembro 2021 16:15

O comandante Mamady Doumbouya, que depôs o Presidente Alpha Conde, sai de uma reunião com enviados da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental

saliou samb

Junta militar protagonizou golpe que derrubou o Presidente Alpha Condé, a 5 de setembro

14 setembro 2021 16:15

A junta militar que tomou o poder na Guiné-Conacri anunciou hoje a intenção de reabrir esta quarta-feira as fronteiras terrestres com os países vizinhos, algumas das quais estão fechadas desde o golpe de Estado e outras há meses.

A junta começou igualmente por encerrar o espaço aéreo na sequência do golpe que derrubou o Presidente Alpha Condé em 5 de setembro último, mas reabriu-o rapidamente.

Os militares pediram uma "avaliação de segurança e saúde com vista à abertura gradual das fronteiras terrestres", começando pela da Serra Leoa até 15 de Setembro, segunda uma declaração lida na televisão estatal na segunda-feira à noite, pela primeira vez sem ser por um oficial fardado, mas por uma mulher com um vestido colorido.

A fronteira com a Libéria deverá reabrir no dia 16, Costa do Marfim no dia 17, Mali no dia 18, Guiné-Bissau no dia 20 e Senegal no dia 24.

Tensões diplomáticas com encerramentos de fronteiras

Alpha Condé tinha fechado as fronteiras terrestres com a Guiné-Bissau, Senegal e Serra Leoa, oficialmente por razões de segurança, antes das eleições presidenciais de 18 de outubro, que decorreram num contexto de forte contestação à sua candidatura a um terceiro mandato.

Esse encerramento foi causa de tensões diplomáticas, dada a importância dos intercâmbios económicos e humanos na região.

No poder com boa vontade

Desde que tomou o poder, a junta militar tem-se desdobrado em gestos de boa vontade dirigidos a parceiros locais e investidores estrangeiros.

Hoje inicia-se uma série de reuniões, prevista para se estender por quatro dias, sobre o futuro da nação da África Ocidental, e das quais se espera que resulte a fixação de um calendário para novas eleições.

As preocupações sobre a rapidez com que a junta liderada pelo Coronel Mamady Doumbouya estará disposta a ceder o poder a um governo de transição liderado por civis, tal como solicitado pelos mediadores regionais e pela comunidade internacional, avolumam-se.

Golpe de Estado

O golpe de Estado foi recebido com cautelas por opositores de longa data de Condé, incluindo a figura da oposição mais proeminente da Guiné, Cellou Dalein Diallo, batido pelo líder deposto nas últimas três eleições presidenciais.

A forte contestação a Condé em todo o processo que o levou a disputar um terceiro mandato no ano passado, inicialmente excluído pela Constituição do país, levou a violentas manifestações de rua, e depois a festejos na capital, Conacri, quando os militares tomaram o poder.

Esse apoio poderá depender dos acordos que forem alcançados nas reuniões desta semana.

Entre os participantes estão líderes da indústria mineira com interesses da Guiné-Conacri, que o líder da junta procurou tranquilizar, numa tentativa de impedir a desestabilização das exportações críticas de bauxite e ouro, que sustentam a economia do país.

Hoje a junta reúne-se com o partido de Diallo, da União das Forças Democráticas da Guiné, e com outros opositores de Condé, e recebe no Palácio do Povo em Conacri os líderes religiosos.

No final de uma visita a Conacri esta segunda-feira, o chefe do Gabinete das Nações Unidas para a África Ocidental e o Sahel, Annadif Khatir Mahamat Saleh, afirmou ter "muita esperança" nas reuniões desta semana.

"Porque o que quer que a comunidade internacional diga ou faça, o destino da Guiné é o que os próprios guineenses irão decidir", acrescentou o diplomata.