Internacional

Quase 6.000 alegados membros de grupo terrorista renderam-se na Nigéria

2 setembro 2021 21:46

As rendições surgem depois da morte, em maio, do líder de longa data do Boko Haram, Abubakar Shekau, em confrontos com jiadistas rivais do Daesh na África Ocidental (Iswap, sigla em inglês). Os analistas acreditam que os membros que se renderam nos últimos meses foram recrutados à força ou são combatentes do Boko Haram que querem escapar ao Iswap

2 setembro 2021 21:46

Mais de 5.890 suspeitos de terrorismo renderam-se ao Exército no nordeste da Nigéria nas últimas semanas, entre os quais 900 na quarta-feira, anunciaram esta quinta-feira as Forças Armadas nigerianas.

"Nas últimas semanas, mais de 5.890 terroristas, incluindo soldados de patente e seus comandantes, renderam-se com as suas famílias ao Exército no nordeste", disse o porta-voz deste ramo das Forças Armadas nigerianas, Bernard Onyeuko, citado pela agência noticiosa Efe. De acordo com o porta-voz, 565 dos suspeitos foram entregues ao governo do estado de Borno, em Maiduguri, para "posterior gestão após a elaboração de perfis completos".

O porta-voz acrescentou que pelo menos 48 foram neutralizados e que a sua base logística foi destruída pelas tropas nigerianas, que recuperaram, também, 52 armas, 1.977 munições de diferentes calibres, granadas, espingardas fabricadas localmente, armas antiaéreas, espingardas da polícia nigeriana e outros materiais. Onyeuko não especificou se se tratam de antigos combatentes do Boko Haram, grupo armado que tem uma forte presença neste área.

As rendições surgem depois da morte, em maio, do líder de longa data do Boko Haram, Abubakar Shekau, em confrontos com jiadistas rivais do Daesh na África Ocidental (Iswap, sigla em inglês). Os analistas acreditam que os membros que se renderam nos últimos meses foram recrutados à força ou são combatentes do Boko Haram que querem escapar ao Iswap.

O Exército nigeriano dirige um programa para apoiar 'jihadistas' que se mostram arrependidos, apelidado de Operação Corredor Seguro, por onde passam por sessões de reeducação e recebem formação profissional. No entanto, o programa apenas tem capacidade, atualmente, para acomodar 700 pessoas.

Mesmo antes da morte de Shekau, o Boko Haram e os seus aliados tinham enfrentado uma ameaça crescente da fação separatista Iswap, que se tornou mais proeminente na realização de raptos e ataques no ano passado.

As autoridades temem também que os militantes do Iswap possam estar agora a operar também no noroeste do país, tendo confirmado recentemente que uma bandeira extremista foi hasteada numa cidade no estado nigeriano do Níger.

Desde o início da rebelião do grupo terrorista islâmico Boko Haram no nordeste da Nigéria, em 2009, o conflito fez quase 36 mil mortos e dois milhões de deslocados. Em 2016, o grupo separou-se, ficando a fação histórica de um lado e a Iswap, reconhecida pelo Estado Islâmico, do outro.