Internacional

“Quem chama ‘terroristas’ aos migrantes esquece-se de que a nós chamaram ‘mafiosos do Leste’”: Lituânia, a nova porta de entrada na Europa

6 agosto 2021 22:53

Ana França

Ana França

Jornalista da secção Internacional

Ieva Cicelyte está há cinco anos a trabalhar com requerentes de asilo e refugiados na Lituânia mas nunca teve os níveis de trabalho que tem agora

d.r.

Com 2,8 milhões de habitantes e bem longe do Mediterrâneo, a Lituânia nunca esteve nem perto do caos que desembarcou nas praias da Grécia, de Espanha ou de Itália durante a crise migratória de 2015 e 2016. Mas agora, e em apenas dois meses, chegaram ao país - vindos do Iraque mas com passagem pela Bielorrússia - quase 4000 migrantes. O Governo aprovou uma nova lei de asilo que restringe bastante os direitos de quem chega e o sector da ajuda humanitária é pequeno para as exigências que se multiplicam a cada dia. Ieva Cicelyte é uma das quatro pessoas da Cáritas que prestam assistência no Centro de Registo de Estrangeiros - e falou com o Expresso

6 agosto 2021 22:53

Ana França

Ana França

Jornalista da secção Internacional

Até há dois meses, Ieva Cicelyte recebia vítimas da resistência às autoridades do Tajiquistão, Chechénia, Bielorrússia; testemunhas de Jeová que não são bem-vindas na Rússia; alguns cristãos do Irão. Agora tem todos os dias 500 pessoas diretamente dependentes da ajuda da sua equipa de apenas quatro pessoas. São sírios, afegãos, congoleses, muitos iraquianos. Não sabem quase nada sobre a Lituânia, muitos não sabem exatamente onde fica a Lituânia e por isso não sabem onde estão.