Internacional

Primeiro detido transferido da prisão de Guantánamo

19 julho 2021 14:00

thomas watkins/ getty images

O Governo norte-americano realizou a primeira transferência de um dos prisioneiros da base militar norte-americana de Guantánamo. Trata-se de um marroquino que foi repatriado, anunciou o Pentágono

19 julho 2021 14:00

Um marroquino que foi repatriado é o primeiro preso transferido da base militar que os Estados Unidos da América mantêm em Guantánamo, na ilha de Cuba anunciou o Pentágono esta segunda-feira.

“O Departamento de Defesa anunciou hoje a transferência de Abdellatif Nacer do centro de detenção de Guantánamo para o reino de Marrocos”, disse o departamento de Defesa norte-americano num comunicado, acrescentando que 39 pessoas ainda estão detidas em Guantánamo.

A libertação de Nacer, que nunca foi acusado, fora recomendada pelo Governo do ex-Presidente Barack Obama em 2016, “sujeita a garantias de segurança e tratamento humano”, segundo o Pentágono. O marroquino ainda permaneceu preso mais cinco anos, incluindo toda a presidência do seu sucessor, Donald Trump.

Obama ordenou o encerramento de Guantánamo em janeiro de 2009, logo no início do seu primeiro mandato, com o objetivo de que os presos fossem julgados por tribunais civis. A decisão acabou chumbada no Congresso.

Perante esse cenário, o Presidente preferiu soltar discretamente centenas de detidos, cuja libertação tinha sido aprovada pelo Conselho de Revisão da Presidência. Essas libertações foram interrompidas por Trump.

Biden recupera promessa de Obama

Em abril a Casa Branca afirmou que Joe Biden, antigo vice-Presidente de Obama que chegou este ano à presidência, “continua comprometido” com o encerramento de Guantánamo. O novo chefe de Estado “está empenhado em seguir um processo cuidadoso para reduzir responsavelmente o número de detidos em Guantánamo, preservando a segurança dos Estados Unidos e dos seus aliados”, explica o Departamento de Estado.

A prisão de Guantánamo foi inaugurada em 2002, em território norte-americano em Cuba, para deter integrantes do movimento terrorista Al-Qaeda, bem como outros alegados cúmplices dos autores dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A prisão tornou-se um embaraço para Washington, sendo apontada como local de detenções ilegais e violações de direitos humanos. Chegou a albergar cerca de 800 “prisioneiros de guerra”, alguns torturados em locais secretos da CIA, antes de serem transferidos para Guantánamo. Apenas dez foram acusados formalmente.