Internacional

Sara Ocidental. “Marrocos usa vidas humanas para fins políticos”

5 junho 2021 19:19

Abdulah Arabi, delegado da Frente Polisário em Espanha, falou com o Expresso em Madrid

Entrevista a Abdulah Arabi, delegado da Frente Polisário em Espanha

5 junho 2021 19:19

Os sarauís consideram-lhe filhos da nuvem, porque aprenderam a defender um território inóspito e alheio no deserto argelino — na zona de Tinduf, onde milhares habitam campos em condições muito difíceis — como se fosse a sua própria casa. Essa, abandonaram-na há 45 anos, quando a Espanha saiu do Sara Ocidental, entraram os marroquinos e começou a guerra. Nesse labirinto africano nasceu Abdulah Arabi (El Aaiún, 1966), delegado em Espanha da Frente Polisário, principal organização de luta pena independência da República Árabe Sarauí Democrática (RASD). Arabi, cujo cargo só tem par na delegação do território nas Nações Unidas, falou com o Expresso em Madrid, no dia em que o presidente da Frente Polisário e da RASD, Brahim Ghali, saiu de Espanha para a Argélia após ter recebido tratamentos médicos em Logroño, o que muito irritou Rabat.

Marrocos não ia tão longe no seu desafio desde a Marcha Verde de 1975. O reconhecimento pelos Estados Unidos da soberania marroquina sobre o Sara Ocidental influiu nesta crise?

Sem dúvida. O apoio declarado por Donald Trump em dezembro encorajou Marrocos a lançar-se em busca de novos reconhecimentos internacionais do Sara Ocidental, em concreto da União Europeia. Começou por Espanha e tentou também com a Alemanha, mas não conseguiu mais do que abrir uma grave crise diplomática com ambos países. Isso mostra que não só fracassou no objetivo como permitiu ver que todos os argumentos que utiliza são mecanismos de pressão destinados a mediatizar um posicionamento europeu conforme à decisão de Trump.