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Pequenos-almoços em família custavam 850 euros por mês: primeira-ministra da Finlândia sob polémica ligada a despesas na residência oficial

1 junho 2021 18:14

Sanna Marin

olivier hoslet/getty images

Marin tem-se debatido com fortes críticas da oposição, desde que o tabloide Iltalehti revelou, no dia 25 de maio, que a primeira-ministra finlandesa estava a ser reembolsada em até 300 euros por mês pelos pequenos-almoços da sua família apesar de viver na residência oficial de Kesaranta. Foi então revelado que o valor rondava, afinal, os 850 euros mensais, incluindo algumas refeições

1 junho 2021 18:14

A primeira-ministra finlandesa indicou esta terça-feira ter renunciado "definitivamente" ao reembolso das despesas feitas com os pequenos-almoços tomados na residência oficial, na esperança de pôr fim a uma polémica que envenenou a sua campanha para as eleições locais. Sanna Marin, chefe de um Governo social-democrata, comprometeu-se também a devolver os cerca de 14.000 euros em despesas relacionadas com as refeições familiares realizadas desde que chegou à residência oficial de Kesäranta, há um ano e meio.

"Tenho outras atribuições no meu trabalho, além de passar dias a analisar ao pormenor coisas como a comida da minha família", disse a primeira-ministra finlandesa, 35 anos, em entrevista à estação de televisão MTV3. Marin tem-se debatido com fortes críticas da oposição, desde que o tabloide Iltalehti revelou, no dia 25 de maio, que a primeira-ministra finlandesa estava a ser reembolsada em até 300 euros por mês pelos pequenos-almoços da sua família apesar de viver na residência oficial de Kesaranta. Foi então revelado que o valor rondava, afinal, os 850 euros mensais, incluindo algumas refeições.

No entanto, de acordo com o jornal, o uso de fundos públicos para cobrir esses custos pode infringir a lei finlandesa, porque não estão explicitamente previstos. Na sexta-feira, a polícia finlandesa anunciou ter aberto uma investigação, bem como uma outra fiscal, para averiguar se Marin deve pagar impostos adicionais por este benefício. "Não pedi para beneficiar dessa vantagem como primeira-ministra, nem estive envolvida na decisão sobre isso", argumentou Marin.

Num país preocupado com a igualdade de tratamento, a oposição tirou proveito da polémica, numa altura em que se aproximam as eleições municipais, marcadas para 13 de junho. No poder desde dezembro de 2019, Marin conta com um grande apoio popular devido à forma como geriu a pandemia de covid-19 na Finlândia, um dos países menos afetados da Europa. No entanto, as sondagens para as municipais sugerem um aumento da oposição, em particular do Partido dos Finlandeses (extrema-direita).