Internacional

"Missão cumprida". Raúl Castro abandona a liderança do partido comunista de Cuba

16 abril 2021 23:39

ariel ley royero

Pela primeira vez em seis décadas, os cubanos vão ficar sem alguém da família de Fidel Castro a comandar o país. Miguel Díaz-Canel é apontado como o sucessor e defende uma maior abertura económica em Cuba

16 abril 2021 23:39

Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, confirmou que vai deixar o cargo de chefe do partido comunista de Cuba, num congresso do partido que decorreu esta sexta-feira em Havana.

Aos 89 anos, Raúl Castro disse que se retirava com o sentimento "de ter cumprido a missão e confiante no futuro da pátria", perante uma plateia com centenas de delegados do partido comunista num centro de convenções na capital cubana.

Raúl Castro não avançou no congresso quem tenciona nomear como seu sucessor na liderança do partido comunista de Cuba, mas anteriormente já se mostrou favorável a passar a pasta a Miguel Díaz-Canel, com 60 anos, que o sucedeu como presidente em 2018 e representa uma geração mais jovem de legalistas que se batem por uma maior abertura económica em Cuba, mas sem melindrar os princípios do partido.

Com a saída de Raúl Castro, os cubanos vão ficar, pela primeira vez em seis décadas, sem um um líder da família Castro a comandar o país - desde a revolução de 1959 iniciada por Fidel Castro, irmão de Raúl.

A retirada do 'clã' Castro dos destinos de Cuba coincide com um momento difícil na ilha, com a crise gerada pela pandemia covid-19 a somar-se a duras reformas financeiras e restrições impostas pelos Estados Unidos, ainda sob o governo Trump.

O descontentamento tem aumentado em Cuba, com a disseminação crescente da internet, e a população voltou a ter de enfrentar longas filas para obter alimentos. O debate no país tem de momento o foco nas reformas para abrir a economia, que têm sido lentas com a família Castro no poder.

Miguel Díaz-Canel, que se espera vir a substituir Raúl Castro como chefe do partido comunista em Cuba, apresentou em janeiro um plano que tinha sido aprovado há dois congressos com vista a unificar o sistema de moeda dupla da ilha, além de abrir portas às empresas privadas e permitir aos cubanos lançarem negócios.

O que se prevê é que o sucessor de Raúl Castro se concentre em reformas adiadas em Cuba para reformular empresas estatais e dar mais proteção à atividade privada, atraindo investimento estrangeiro.