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Fernando Henrique Cardoso ao Expresso: “Não defendo a destituição de Bolsonaro. Bem ou mal, foi eleito”

15.08.2020 às 23h01

Entrevista ao ex-Presidente do Brasil, em exclusivo, via Zoom. Fernando Henrique Cardoso fala de democracia e de crise de liderança

Fernando Henrique Cardoso foi Presidente do Brasil entre 1995 e 2003

Nuno Botelho

Não tem cabimento um Presidente participar de uma manifestação contra o Supremo Tribunal Federal, contra o Congresso, é antidemocrático”, diz Fernando Henrique Cardoso. Ex-senador, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e da Fazenda, Presidente da República por dois mandatos, de 1995 a 2003, embora afastado do dia a dia da política, continua a ser uma voz de peso no Brasil. Apesar das críticas que faz ao Governo Bolsonaro, não defende a sua destituição nem se arrepende de ter votado nulo nas eleições de 2018. Aos 89 anos, anda a pé pelo bairro, não usa segurança, apesar do direito consagrado por lei, e ainda tem planos. Isolado no seu apartamento em São Paulo, tem aproveitado a pandemia para escrever um livro sobre a sua formação intelectual e o futuro.

O Brasil ultrapassou 100 mil mortes pela covid-19. Poderiam ter sido evitadas?

A situação da covid aqui é grave. A doença veio de avião e quem morre são os mais pobres. O Presidente gosta de fazer propaganda a um remédio que os médicos dizem que não tem eficácia. Alguns não levam muito a sério as máscaras nem evitam aglomerações. É difícil conter as pessoas em casa. E estamos num processo economicamente difícil, com o foco no imediato. Eu moro num bairro de classe média alta onde há uma escadaria que está cheia de gente a dormir.