Internacional

“Ele mente o tempo todo”: notáveis do Partido Republicano não apoiam Trump nas presidenciais

7 junho 2020 20:33

Ana França

Ana França

Jornalista da secção Internacional

chip somodevilla / getty images

Vozes republicanas ouvidas pelo "New York Times" e pela CNN mostram um desagrado crescente do partido com o posicionamento duro do Donald Trump nos protestos contra a violência policial que se espalham pelas cidades norte-americanas. Colin Powell, George Bush e Mitt Romney são alguns nomes centrais na história recente do partido que já disseram que não vão apoiar o atual Presidente nas presidenciais de 3 de novembro

7 junho 2020 20:33

Ana França

Ana França

Jornalista da secção Internacional

Há um número crescente de nomes sonantes nas fileiras republicanas a ponderar não votar em Donald Trump - atual Presidente dos Estados Unidos e can-didato à reeleição, e outros que já passaram da ponderação para a certeza: Colin Powell, ex-Secretário de Estado sob George W. Bush, o próprio George W. Bush e Mitt Romney, senador pelo Utah e o único republicano a votar a favor no julgamento pela destituição de Trump, não vão apoiar o atual Presidente.

Em declarações à CNN, o general Colin Powell foi ainda mais longe e disse que vai votar em Joe Biden, candidato do Partido Democrata à presidência (que foi vice-presidente de Barack Obama). “Nós temos uma Constituição, e temos de ser seguir essa Constituição. O Presidente têm-se afastado dela”, disse ao programa “State of the Union” - Powell foi o primeiro afroamericano a exercer o cargo de Secretário de Estado. Além disso, não considera que Trump tenha sido bem-sucedido no seu trabalho e diz que o Presidente "mente o tempo todo".

Militar reconhecido entre os seus pares, muitos dos quais têm também criticado Donald Trump por algumas decisões durante as manifestações que há dez dias têm incendiado os ânimos nas principais cidades dos Estados Unidos, Powell disse-se “orgulhoso” dos seus camaradas e da posição que alguns deles tomaram, o que mostra que as coisas estão a mudar: “Acho que o que estamos a viver são os maiores protestos que vi em toda a minha vida, e acho que isso quer dizer que o país está a ficar mais alerta e que os norte-americanos não vão aceitar qualquer coisa daqui para frente”.

Do lado oposto dos elogios de Powell estão os vários representantes republicanos, tanto senadores como governadores e deputados da Câmara dos Representantes, que parecem estar sob uma espécie de pacto de silêncio, segundo a opinião do general: “Vi os senadores a entrarem para o Congresso no dia em que tudo isto estourou e os repórteres a perguntar: ‘O que é que tem a dizer? O que tem a dizer, senador?’ e eles não disseram nada, não reagiram”. Já em 2016, Powell não votou em Trump e desta vez não tem dúvidas que seguirá o mesmo caminho até porque admite que tem muitas coisas em comum com Biden, com quem trabalhou mais de 30 anos.

O “New York Times” escreve que esta decisão se prende com “uma urgência que alguns republicanos sentem-se em se separarem da resposta incendiária de Donald Trump aos protestos contra a violência policial” e cita pessoas próximas do aparelho republicano, que transmitiram ao jornal este desconforto.

Quanto a George W. Bush ainda não é certo que também vote nos democratas mas o diário nova-iorquino diz que o ex-Presidente não vai apoiar Trump e o seu irmão, Jeb Bush, não tem ainda certezas sobre o candidato que escolherá. A mesma incógnita paira sobre a decisão de Mitt Romney. A viúva do senador John McCain, que nos últimos anos de vida se tornou um feroz crítico de Trump e impediu a passagem da lei que anularia o chamado ‘Obamacare’ - um sistema de saúde um pouco mais acessível para os americanos com rendimentos baixos -, também deve apoiar Joe Biden, apenas não decidiu ainda se vai fazer disso “uma campanha” porque o filho está a pensar enveredar pela política, pelos republicanos.

A fazer fé nas vontades auscultadas pelo “The New York Times”, há uma quantidade considerável republicanos com responsabilidades políticas, ou que recentemente estiveram em cargos importantes, a ponderar “abandonar” Trump, seja isso feito publicamente ou não. Muitos convergem nesta teoria: desde que os republicanos consigam manter a maioria no Senado, até preferem Biden como Presidente.