Espanha. Iglesias acusa Vox de querer fazer “um golpe de Estado” mas de “não se atrever”
28.05.2020 às 22h59
Eduardo Parra/Europa Press/Getty Images
As declarações levaram Iván Espinosa de los Monteros, porta-voz do partido de extrema-direita, a abandonar a sala, não sem antes as classificar como “intoleráveis”. Segundo este, o segundo vice-presidente do Governo demonstrou com a sua atitude “a sua incapacidade para governar”
O segundo vice-presidente do Governo espanhol e líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, acusou esta quinta-feira o partido de extrema-direita Vox de querer fazer “um golpe de Estado” mas de “não se atrever”. As declarações, proferidas na Comissão de Reconstrução do Congresso dos Deputados, levaram Iván Espinosa de los Monteros, porta-voz do Vox, a abandonar a sala, não sem antes as classificar como “intoleráveis”.
“Feche a porta ao sair”, respondeu Iglesias. Depois de deixar a reunião, Espinosa de los Monteros acusou Iglesias de demonstrar com a sua atitude “a sua incapacidade para governar”, fazendo menção aos tempos de estudante do líder do Podemos, quando este “impedia de falar as pessoas que não pensavam como ele e apelava à violência”.
Iglesias teve o respaldo do presidente daquela comissão, o socialista Patxi López, que descreveu as suas declarações como um exercício de “liberdade de expressão”, conta o jornal “El Mundo”.
No entanto, horas depois, quando a comissão se voltou a reunir, o socialista pediu “desculpa” por “não ter estado à altura”. López acrescentou que a sessão da manhã ficou marcada por “expressões e comportamentos desnecessários”, algo que “os cidadãos não esperam” do trabalho parlamentar. O Vox aceitou o pedido de desculpas, classificando o gesto como “honroso”.
Durante a manhã, Iglesias também chocou com o PP, um partido que, segundo o vice-presidente do Governo, acolhe “algumas pessoas” que pretendem “fazer o caminho inverso ao que fez Manuel Fraga”, ou seja, “da ditadura militar para a democracia”. Fraga foi ministro da Informação e do Turismo durante a ditadura de Franco, tendo posteriormente sido um dos pais da atual Constituição espanhola.