Internacional

Von der Leyen: "Vamos encontrar soluções inteligentes para ter férias de verão"

19 abril 2020 10:18

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

yves herman/reuters

A presidente da Comissão Europeia mostra-se agora mais otimista em relação aos movimentos durante os meses de sol, fundamentais para o turismo. Numa entrevista ao Expresso, afirma que a UE está a começar a aprender a viver com o vírus.

19 abril 2020 10:18

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

Ursula von der Leyen diz que será possível encontrar "soluções inteligentes" de os europeus fazerem férias de verão, apesar da pandemia. A alemã que lidera o executivo comunitário mostra-se agora mais otimista, depois de há uma semana ter recomendado que esperassem antes de fazer planos, devido à falta previsões confiáveis para julho e agosto.

"Penso que vamos encontrar soluções inteligentes para ter férias de verão. Talvez um pouco diferentes, com outras medidas de higiene, com um pouco mais de distância social, mas é impressionante ver que encontramos soluções. Por isto estou otimista quando às férias de verão", afirma, numa entrevista ao Expresso, quando questionada sobre a possibilidade de os europeus fazerem férias, pelo menos, nos países onde vivem.

O novo coronavírus paralisou o setor do turismo, e o cenário de um verão sem qualquer reserva teria consequências ainda mais graves para a economia, e em particular nos países do sul. Na entrevista que dá este fim de semana ao Expresso, o próprio primeiro-ministro deseja que "o turismo possa retomar a sua atividade", mesmo que mais virado para o mercado nacional do que externo, e com medidas para evitar aglomerados nas praias.

Sobre a saída da UE do confinamento, Von der Leyen considera "é bom" que se esteja "a levantar as medidas restritivas", avisando, no entanto, que os governos devem avançar "com cuidado, passo a passo e sempre com vigilância". Esta semana a Comissão Europeia publicou uma série de orientações para melhorar a coordenação a 27 no levantamento de medidas restritivas.

A alemã lembra que um dos critérios passa por garantir que "nas unidades de cuidados intensivos" e "nos hospitais" há capacidade de resposta para os doentes Covid19, mas também com outras patologias.

"É difícil prever como serão os próximos meses, mas o que vejo é que estamos a começar a aprender a viver com o vírus", afirma Von der Leyen, mostrando-se "impressionada" com as soluções que têm sido encontradas para manter vários setores económicos a funcionar.

"Por exemplo, fico impressionada ao ver quão inovadora é a economia, na forma como mudou a produção: os trabalhadores trabalham por turnos, com grupos mais pequenos, com distância social, com novas medidas de higiene", continua. E é essa adaptação que espera que venha a verificar-se também no turismo e nas férias de verão.

UE não vai colapsar

O novo vírus tem posto à prova a capacidade de resiliência da União a 27, ameaçando abrir novos desentendimentos entre países do sul e do norte. São vários os avisos - incluindo de Costa - sobre a sobrevivência do projeto europeu, e o presidente francês Emmanuel Macron alerta mesmo para a possibilidade de colapso se não se garantir o apoio às economias mais afetadas.

"Penso que no início desta crise vivemos momentos críticos, com todos estados-membros apenas preocupados com os seus próprios problemas. Foi um início atribulado", reconhece Von der Leyen ao Expresso. No entanto, sublinha também que "ao fim de alguns dias, os países perceberam que não conseguiam gerir esta crise sozinhos" e a coordenação melhorou.

"Vemos agora médicos romenos e enfermeiras polacas irem para Itália para ajudar; vemos doentes franceses serem na Áustria ou no Luxemburgo; vemos ventiladores irem da Alemanha para Espanha", diz, referindo ainda as centenas de europeus que estavam fora da UE e que Portugal trouxe de volta. "Esta é a Europa que eu amo, onde bate um coração forte e solidário e é esta a forma como devemos avançar".

Ursula von der Leyen insiste num discurso otimista e rejeita o colapso. "Não, acho que provámos que podemos crescer com esta crise e estamos juntos novamente".

Numa União Europeia à procura de uma resposta conjunta para assegurar a retoma económica, a Comissão Europeia terá agora de avançar com proposta de plano de ação, e é forte a pressão para que o faça o quanto antes.

O executivo comunitário está também a preparar uma nova proposta para o Quadro Financeiro Plurianual de 2021 a 2027, que continua por decidir - numa altura em que o tempo é cada vez mais curto para decisões e o atual orçamento plurianual está a terminar. A promessa de Von der Leyen é de reverter os cortes na coesão propostos pela anterior Comissão.