África do Sul. Um país à espera do que o seu Presidente lhe reserva
13.02.2020 às 13h49
Cyril Ramaphosa dirscursa ao lado da estátua de Nelson Mandela durante a comemoração dos 30 anos da sua libertação, após 27 anos de cativeiro
RUVAN BOSHOFF/EPA
O discurso de Cyril Ramaphosa sobre o estado e o futuro da nação é todos os anos recebido com expectativa pelos cidadãos que esperam por um emprego, desenvolvimento, menos desigualdade da distribuição e combate efetivo à corrupção
Há 30 anos, em 11 de fevereiro, Cyril Ramaphosa segurava o microfone de Nelson Mandela quando este fez a sua primeira comunicação pública após a libertação que chegou depois de 27 anos de cadeia. Hoje é ele o Presidente de uma África do Sul muito diferente, que será sobejamente referida nas suas diferentes áreas no discurso do Estado da Nação 2020 que terá lugar no Parlamento esta quinta-feira às 19h da Cidade do Cabo (17h em Lisboa).
Espera-se que o Sona, como é conhecido (State of the Nation Address), comece por comemorar a libertação de Mandela e prossiga falando sobre o futuro de um país cuja economia mais patina do que cresce.
Analistas anteciparam que o discurso será recebido com grande expectativa num contexto de tensão nacional com uma alta taxa de desemprego a contribuir para tornar mais sensível a estagnação da economia.
Ramaphosa é acusado de prometer muito mais do que cumpre e há áreas incontornáveis de abordar como a Eskom, a empresa nacional de distribuição de eletricidade, que tem sido objeto de negócios ruinosos.
Desafios internos e externos
O Presidente vai ter de "falar da Eskom e da SAA [South African Airways]", e terá de "dar consistência à proposta de reestruturação da Eskom", diz ao jornal "Times LIve" (Sunday Times da África do Sul) o cientista político da Universidade de Pretória, Sithembile Mbete. Também deverá dar pormenores sobre o auxílio do Estado às linhas aéreas nacionais.
Já Vishnu Padayachee, do departamento de economia e finança da Universidade de Witwatersrand é da opinião de que o chefe de Estado se referirá essencialmente ao que se vai passar fora do país, mas no continente, uma vez que a África do Sul tem a presidência da União Africana.
O jornal cita ainda Ntsikelelo Benjamin Breakfast da escola de segurança e estudos africanos da Universidade de Stellenbosch defendendo que Cyril Ramaphosa vai dividir o discurso entre questões nacionais e internacionais. Na frente doméstica terá de abordar três desafios, pobreza, desigualdade e desemprego, que são "as maiores ameaças à segurança". Terá de falar também na "Eskom, corrupção e insucesso geral das empresas estatais".