Internacional

“O antissemitismo está no ADN da cultura europeia e da cristandade”

frederick florin/afp/getty images

O antissemitismo tem vindo a aumentar na Europa, chegando em 2019 a números impensáveis no continente que há 74 anos assistiu ao genocídio de seis milhões de judeus. Wenzel Michalski, diretor da Human Rights Watch para a Alemanha, é uma das vozes que explica o fenómeno

7 julho 2019 0:03

Luciana Leiderfarb

Luciana Leiderfarb

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Jornalista

Há aquela anedota que diz assim: se perguntarmos “o que é ser judeu?” a dois judeus, o resultado será pelo menos três respostas. Mas a pergunta sobre o que é o antissemitismo teria provavelmente o mesmo contraponto. A única certeza é a de que existe há séculos e, 74 anos depois do final da II Guerra Mundial, não cessou de existir. Discursos à parte, e a eles já lá vamos, os números demonstram que o antissemitismo no mundo tem vindo a aumentar. Os números, esses, são o que são e não permitem fuga possível.

Foi este ano que apareceram, embora o antissemitismo esteja em séria ascensão há pelo menos cinco. Um pouco por toda a parte, o tabu antissemita provocado pelo extermínio de seis milhões de judeus pela Alemanha nazi começou a dissipar-se. Não só porque as memórias da guerra estão elas próprias a desvanecer-se — e os que sobreviveram estão a morrer — ou porque o Holocausto está cada vez mais distante das novas gerações; não apenas pelos populismos e nacionalismos que assolam o planeta nem pela insegurança ou a deriva identitária novamente à procura de definição. “O antissemitismo está no ADN da cultura europeia e da cristandade, e isso faz com que não tenha desaparecido mesmo após Auschwitz”, diz Wenzel Michalski, diretor da Human Rights Watch para a Alemanha, ao Expresso. E continua: “Hoje, as pessoas sentem-se encorajadas a dizer as coisas mais atrozes, sentem-se livres para o fazer, em especial através das redes sociais e instalados na segurança das suas casas. São as mesmas pessoas que se mantiveram caladas durante anos, pois tinham a noção de que as suas palavras ultrapassavam um limite. Agora, esse limite é ultrapassado diariamente.”

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