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Teólogas espanholas fazem apelo às freiras para que denunciem se foram abusadas

VINCENZO PINTO/GETTY

“Rezamos para que aqueles que sabem sobre esses abusos e violações os relatem e acompanhemos as vítimas para que não vivam o seu sofrimento sozinhas”, pediram as teólogas em comunicado divulgado após o papa Francisco reconhecer que houve abusos a freiras perpetrados por padres e bispos

A Associação de Teólogas Espanholas (ATE) apelou nesta terça-feira para que todas as freiras que sofreram abusos "denunciem e não guardem silêncio", para que os factos sejam esclarecidos e sejam melhoradas as condições de muitos religiosos em várias instituições.

"Rezamos para que aqueles que sabem sobre esses abusos e violações os relatem e acompanhemos as vítimas para que não vivam o seu sofrimento sozinhas", pediram as teólogas em comunicado divulgado após o papa Francisco reconhecer que houve abusos a freiras perpetrados por padres e bispos, uma situação que "vem de longe". A ATE também encoraja o papa Francisco a "acolher esta terrível realidade como uma questão prioritária para abordar e lutar".

A associação, que reúne todas as mulheres que estudaram teologia e que reivindica o papel das mulheres no catolicismo, considera que "a Igreja é capaz de trabalhar e melhorar as suas imperfeições, reconhecer as suas fraquezas e excessos". "Como teólogas", acrescentam, "continuamos a defender o poder das mulheres na Igreja, mas isso só é possível se a dignidade e o corpo delas forem respeitados".

A 5 de fevereiro o papa Francisco reconheceu que padres e bispos abusaram sexualmente de freiras, numa resposta a uma pergunta de um jornalista durante uma viagem de avião de regresso dos Emirados Árabes Unidos. "Havia padres e também bispos que faziam isso", concordou o papa, que nunca tinha abordado a questão diretamente, considerando ainda que é um tema relevante na Igreja.

A 8 de fevereiro a maior associação de religiosas dos Estados Unidos pediu uma revisão da liderança da igreja, defendendo que a extensão dos abusos no clero "indicam que as estruturas atuais devem mudar" para que seja recuperada a credibilidade moral.

Em comunicado, a Conferência das Mulheres Religiosas para a Liderança (LCWR, na sigla em inglês), que representa cerca de 80% das freiras católicas nos EUA, agradeceram o facto de o papa Francisco ter reconhecido a existência de abusos. "Somos muito gratas pelo reconhecimento público do papa Francisco do abuso sexual de freiras católicas por membros do clero. As suas palavras francas lançam luz sobre uma realidade que tem sido amplamente escondida do público e acreditamos que sua honestidade é um importante e significativo passo à frente.

A organização adianta, contudo, esperar que esse reconhecimento seja uma força motivadora para todos na Igreja para retificar rapidamente a questão do abuso sexual pelo clero. "A próxima reunião de bispos sobre abuso sexual oferece a oportunidade para uma ação decisiva", refere a organização.

O papa chamou ao Vaticano os presidentes de conferências episcopais de todo o mundo para uma cimeira sobre "a proteção de menores" a realizar de 21 a 24 de fevereiro.