Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Português que chefia ajuda à minoria rohingya diz que recursos são limitados

Anadolu Agency/GETTY

“Hoje, as maiores necessidades que continuamos a enfrentar são os limitados recursos económicos que temos para conseguir garantir os serviços básicos”, afirma Manuel Marques Pereira, chefe-adjunto da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Cox's Bazar

O coordenador da ajuda aos rohingyas em Cox's Bazar (Bangladesh), Manuel Pereira, alertou esta terça-feira que os recursos para apoiar os refugiados desta minoria muçulmana permanecem limitados e isso constitui um dos maiores desafios desta crise humanitária.

"Hoje, as maiores necessidades que continuamos a enfrentar são os limitados recursos económicos que temos para conseguir garantir os serviços básicos. Mas também importa relembrar que é necessária educação, que são necessários meios de subsistência e é muito, muito importante, reforçar a capacidade de identificar as necessidades dos mais vulneráveis, que geralmente têm necessidades muito específicas", disse o português Manuel Marques Pereira, chefe-adjunto da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Cox's Bazar e coordenador da ajuda de emergência naquela região, numa entrevista divulgada esta terça-feira pelo serviço ONU News.

Em breve, de acordo com a mesma fonte, será lançado um Plano de Resposta Conjunta 2019, que irá pedir uma ajuda na ordem dos 920 milhões de dólares (cerca de 814 milhões de euros). O último apelo foi lançado em março de 2018 e obteve 69% do financiamento.

Na entrevista, o português faz um balanço da crise dos refugiados rohingya, indicando que a organização apoiou cerca de 1,2 milhão de pessoas naquela região do Bangladesh durante o ano passado, incluindo refugiados e membros daquela comunidade de acolhimento.

Desde agosto de 2017, chegaram à zona de Cox's Bazar perto de 713 mil rohingyas, que fugiram da violência e da repressão exercidas pelo exército de Myanmar (antiga Birmânia).

A campanha de repressão do exército birmanês contra esta minoria já foi classificada pela ONU como uma limpeza étnica e como uma das crises humanitárias mais graves do início do século XXI.

A maior parte destas pessoas, mais de 620 mil pessoas, estão a viver em Kutupalong, considerado o maior acampamento de refugiados no mundo.

Segundo Manuel Marques Pereira, o número total de pessoas que vive nos vários acampamentos erguidos estabilizou no último ano e meio.

"Os números de refugiados nos campos estão estabilizados. Temos, aproximadamente, um milhão de pessoas. O mais importante para nós é continuar a discutir com o governo do Bangladesh e com as comunidades as preocupações e as informações que eles acham necessárias para se conseguir discutir qual será o futuro imediato e a meio prazo", disse o representante.

O último balanço da OIM, divulgado no início de fevereiro, explica que a organização e os seus parceiros realizaram melhoramentos nos acampamentos, incluindo a construção ou reparação de 410 pontes e de 25 caminhos pedestres.

A OIM também construiu sistemas de tratamento e distribuição de água e distribuiu mais de 26 mil kits de higiene.

No campo da saúde, a organização ofereceu perto de 1,7 mil consultas diárias, incluindo 470 consultas a crianças. Apenas em janeiro, a OIM ajudou no parto de 273 bebés.

Para Manuel Marques Pereira, é importante continuar a falar com a população local para perceber quais são as necessidades e como estas podem ser resolvidas.

"Passado um ano e meio após o afluxo dos refugiados [rohingyas] para o Bangladesh, as nossas maiores preocupações continuam a ser garantir o acesso básico aos serviços, garantir que as populações continuam a comunicar connosco para pudermos entender quais são as suas necessidades e quais são as suas dificuldades", referiu o representante, relatando ainda que irão começar, em breve, os trabalhos de preparação para a época das monções, "um período muito complicado" para a manutenção e para a distribuição dos serviços prestados às pessoas.

O êxodo dos rohingyas teve início em meados de agosto de 2017, quando foi lançada uma operação militar do exército birmanês contra o movimento rebelde Exército de Salvação do Estado Rohingya devido a ataques da rebelião a postos militares e policiais.

O Estado de Myanmar, de maioria budista, não reconhece esta minoria e impõe múltiplas restrições aos rohingyas, nomeadamente a liberdade de movimentos.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os rohingyas têm sido submetidos a muitas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).