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Manifestação da direita e extrema-direita de domingo foi “enorme fracasso”, diz Puigdemont

David Ramos/Getty

Carles Puigdemont fez estas declarações em Berlim, pouco depois do início do julgamento de 12 políticos independentistas catalães no Tribunal Supremo, em Madrid, pela organização de um referendo independentista em 2017

O ex-presidente do Governo regional catalão, Carles Puigdemont, afirmou esta terça-feira que a manifestação “da direita e extrema-direita”, no domingo, foi um “enorme fracasso” e, portanto, não os considera uma ameaça no quadro de eleições gerais.

Puigdemont fez estas declarações em Berlim, pouco depois do início do julgamento de 12 políticos independentistas catalães no Tribunal Supremo, em Madrid, pela organização de um referendo independentista em 2017.

A possibilidade de eleições gerais, com a direita a formar Governo em Madrid, era uma “ameaça plausível” antes de domingo, segundo o ex-presidente catalão, mas o poder de alcance demonstrado faz com que este perigo tenha sido dissolvido.

O ex-presidente do Governo regional catalão acusou também o líder do Partido Popular, Pablo Casado, de ter “uma garrafa de gasolina” nas mãos, provocando “incêndios” e classificou o partido de extrema-direita Vox como sendo “franquista”.

Além disso, considerou que não houve avanços com o atual Governo socialista porque, no seu entender, apesar de certas mensagens, a situação agora está “no mesmo ponto” em relação ao anterior executivo, do conservador Mariano Rajoy.

"O facto de invocar a possibilidade de um relator independente gerou uma enorme crise. Eu nem quero imaginar o dia em que possamos sentar-nos à mesa", disse.

Puigdemont está em Berlim a convite da organização Cinema for Peace, que aproveitou a celebração do festival de cinema da capital alemã, a Berlinale (Festival de Berlim), para organizar uma série de eventos paralelos nos quais participam políticos e ativistas.

O ex-presidente da Generalitat já esteve presente na segunda-feira à tarde na gala que é tradicionalmente organizada pelo Cinema for Peace durante a Berlinale e esta terça-feira planeia participar num evento realizado no Reichstag, o edifício principal do Parlamento alemão.

Na segunda-feira, Puigdemont salientou que o seu papel em Berlim atualmente é "dar voz" àqueles que "enfrentam um julgamento completamente injusto" e aproveitar "a oportunidade" para "denunciar essa situação”.

Carles Puigdemont disse ainda que o "julgamento que começou hoje em Madrid é um teste para todo o sistema judiciário espanhol, portanto é um teste de stresse para a democracia espanhola".

Acrescentou confiar que “o Estado espanhol aproveitará esta oportunidade para emitir a sentença correta, que é a absolvição".

O julgamento histórico de 12 dirigentes independentistas catalães acusados de envolvimento na tentativa de secessão da Catalunha em outubro de 2017 iniciou-se esta manhã no Tribunal Supremo em Madrid.

O Ministério Público pediu penas que vão até 25 anos de prisão contra os acusados, por alegados delitos de rebelião, sedição, desvio de fundos e desobediência.

A figura principal da tentativa de independência, Carles Puigdemont, que fugiu para a Bélgica, é o grande ausente neste processo, visto que Espanha não julga pessoas à revelia em delitos com este grau de gravidade.

No banco dos réus estão, entre outros, o ex-vice-presidente do Governo regional e vários ex-membros desse executivo, a antiga presidente do Parlamento catalão e os dirigentes de duas poderosas associações cívicas separatistas.

Nove dos 12 acusados estão detidos provisoriamente há mais de um ano, suspeitos de terem cometido os delitos mais graves de rebelião e desvio de fundos públicos.

A questão central no processo que se inicia é a de saber se houve violência na tentativa de secessão, com a acusação de rebelião, que implica uma sublevação violenta, a ser contestada.

Após realizar a 1 de outubro de 2017 um referendo sobre a independência proibido pela justiça, os separatistas catalães proclamaram a 27 de outubro do mesmo ano uma República catalã independente.