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Maduro insiste que os EUA são responsáveis pela crise na Venezuela e critica “extremista” Trump

Anadolu Agency/GETTY

Em entrevista à BBC, Nicolás Maduro diz esperar que “o grupo extremista da Casa Branca possa ser derrotado pela poderosa opinião pública mundial”

O Presidente venezuelano voltou esta terça-feira a acusar os Estados Unidos de serem responsáveis pela crise na Venezuela, considerando os membros da administração Trump “extremistas”.

Em entrevista à BBC, Nicólas Maduro explicou também que poderá não autorizar a entrada de ajuda humanitária na Venezuela, uma vez que essa pode ser uma forma de as forças norte-americanas justificarem a sua intervenção no país.

“É uma guerra política, do império dos EUA, dos interesses da extrema-direita que está a governar, do Klu Klux Klan [três movimentos que defendem ideias extremistas], que orientam a Casa Branca, para tomar a Venezuela”, afirmou Maduro em entrevista à estação britânica.

O Presidente da Venezuela disse ainda esperar que “o grupo extremista da Casa Branca possa ser derrotado pela poderosa opinião pública mundial.”

Acusando a administração de Trump de adotar uma estratégia belicista, Maduro reiterou que o objetivo dos EUA é unicamente “tomar a Venezuela”, numa altura em que as relações diplomáticas entre os países se agravaram.

Questionado sobre se Donald Trump é um “supremacista branco”, Maduro disse de forma perentória que 'sim': “Eles [EUA] odeiam-nos, porque só pensam nos seus próprios interesses e nos interesses dos EUA.”

Sobre a hipótese de convocar eleições, Maduro questionou: “Qual é a razão lógica, razoável, para repetir a eleição?”, sustentando que foi eleito de forma democrática e que conta com o apoio de vários países como a Rússia, China e Turquia.

Na sexta-feira, Maduro admitiu estar aberto ao diálogo, apesar de não concordar com a declaração final do Grupo de Contacto Internacional (GCI) para a Venezuela, que se reuniu um dia antes no Uruguai para apelar à realização de “eleições presidenciais justas e livres” no país.

Numa conferência de imprensa que decorreu no palácio presidencial de Miraflores, o Presidente venezuelano lamentou que a entrega de ajuda humanitária seja um “espetáculo barato” para “humilhar os venezuelanos”. “Não há nenhuma crise humanitária na Venezuela, isso foi uma invenção de Washington para justificar a intervenção no país. É um jogo macabro dos EUA”, declarou na altura Maduro.

Ainda antes de o Presidente norte-americano declarar apoio ao autoproclamado Presidente da Venezuela, Juan Guaidó, no passado dia 23 de janeiro, a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela aumentou depois de Donald Trump admitir a intervenção das Forças Armadas norte-americanas no país.

Esta terça-feira, a oposição venezuelana volta a manifestar-se em Caracas apelando às Forças Armadas que autorizem a entrada de ajuda humanitária, que se encontra retida nesta altura na Colômbia. Juan Guaidó anunciou que a ajuda humanitária deverá entrar na Venezuela nos próximos dias.