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Internacional

Grão que daria para alimentar 3,7 milhões de pessoas durante um mês no Iémen “corre o risco de apodrecer”

AHMAD AL-BASHA/AFP/Getty Images

O alerta é do enviado especial das Nações Unidas ao país e do coordenador da ajuda humanitária da organização. Os dois responsáveis apelam às partes em conflito para permitirem o acesso dos trabalhadores humanitários ao armazém do Programa Alimentar Mundial. A urgência de aceder ao complexo “cresce de dia para dia”, sublinham

O grão acumulado num armazém do porto de Hodeida, no Iémen, daria para “alimentar 3,7 milhões de pessoas durante um mês”. No entanto, o local está “inacessível há mais de cinco meses” e o grão “corre o risco de apodrecer”. O alerta foi dado esta segunda-feira pelo enviado especial das Nações Unidas ao país, Martin Griffiths, e pelo coordenador da ajuda humanitária, Mark Lowcock.

Num comunicado conjunto, os dois responsáveis da ONU apelaram às partes em conflito para permitirem o acesso dos trabalhadores humanitários ao armazém do Programa Alimentar Mundial. A urgência de aceder ao complexo “cresce de dia para dia”, sublinham.

O porto de Hodeida, controlado pelos rebeldes houthis desde 2014, constitui uma porta de entrada prioritária de bens essenciais para dois terços da população iemenita. Cerca de 80% da ajuda humanitária, combustível e bens comerciais chega através do porto.

O Governo do Iémen e os houthis acordaram um cessar-fogo em torno de Hodeida em dezembro mas, desde então, acusam-se mutuamente de o violar. Também ainda não executaram um plano mediado pela ONU, segundo o qual os combatentes deveriam ser transferidos para fora daquela área.

Negociações entre Governo e houthis estão a avançar, diz ONU

Apesar do apelo desta segunda-feira, as Nações Unidas disseram, na semana passada, que as conversações, que decorrem a bordo de um navio da organização, estão a começar a mostrar resultados. O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, adiantou que as duas partes estavam mais perto de um acordo para viabilizar a retirada de tropas de Hodeida.

Dujarric disse que as partes estão a lidar com as complexidades de evitar choques entre forças que se encontram muito próximas umas das outras e de realizar uma retirada gradual de armamento pesado e infantaria. “As partes estão plenamente conscientes do foco internacional que incide sobre os seus esforços para concretizar o acordo sobre Hodeida e as suas implicações para o processo de paz no Iémen”, acrescentou.

O conflito armado no Iémen começou em 2014, quando os rebeldes xiitas houthis ocuparam a capital, Sanaa, e várias províncias do país, e generalizou-se a partir da intervenção militar da coligação sunita, liderada pela Arábia Saudita, em março de 2015. Segundo a ONU, o país é palco da maior crise humanitária do mundo, com milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e dependentes da ajuda internacional. Pelo menos 6800 civis foram mortos e mais de 10 mil ficaram feridos nos combates.