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Brexit. Sinn Féin defende que referendo à unificação das Irlandas deve ser acelerado no caso de saída da UE sem acordo

Michelle O'Neill

Liam McBurney - PA Images/Getty

Acordos de paz para a Irlanda do Norte determinam que um referendo sobre a unificação com a República da Irlanda se justifica quando existir uma maioria da opinião pública a favor

Um referendo à unificação da Irlanda do Norte com a República da Irlanda não depende do 'Brexit', mas deve ser acelerado se a saída for feita sem um acordo, defendeu nesta terça-feira a vice-presidente do partido Sinn Féin, Michelle O'Neill. "O referendo não está colado ao destino do 'Brexit'", disse a dirigente em Londres, mas vincou que um referendo sobre o futuro da Irlanda da Norte e a reunificação é "o próximo passo lógico" depois de uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

O'Neill encontra-se na capital britânica para, juntamente com a presidente do partido, Mary Lou McDonald, se reunir com o líder do partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, e convencê-lo da necessidade da solução de salvaguarda, designada em inglês por 'backstop', no Acordo do 'Brexit'. O mecanismo foi desenhado para impedir uma fronteira física entre a província britânica da Irlanda do Norte com a República da Irlanda, Estado-membro da União Europeia, até ser assinado um acordo que regule as relações entre o Reino Unido e a UE.

O partido irlandês Sinn Féin considera esta "a única apólice de seguro para a paz. Está longe de ser perfeito, mas a maioria dos partidos da Irlanda do Norte apoiam o Acordo de Saída", garantiu O'Neill a um grupo de jornalistas. A solução de salvaguarda é um resultado do desejo dos governos britânico e irlandês para protegerem os compromissos de cooperação norte-sul previstos no acordo de paz para a Irlanda do Norte que colocaram fim ao conflito sectário que durou décadas.

O 'Labour', maior partido da oposição britânica, contesta o texto negociado pela primeira-ministra britânica, Theresa May, com Bruxelas e defende um acordo que preconize uma união aduaneira permanente com a UE. Após o chumbo do Acordo por uma margem de 230 votos no parlamento britânico, em janeiro, foi aprovada uma proposta para negociar a substituição do 'backstop' por alternativas como condição para o documento ser aprovado, mas Bruxelas como Dublin reiteraram que não vão renegociar o texto.

Hoje, a primeira-ministra britânica pediu aos deputados até ao final de fevereiro para conseguir concessões dos líderes europeus. Michelle O'Neill acusa Theresa May de "fazer inversão de marcha" sobre algo que ela própria negociou e garante que "as pessoas da Irlanda do Norte não têm fé neste governo para defender os seus interesses."

O Sinn Féin, antigo braço político do inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), é um partido político operacional na Irlanda do Norte e na República da Irlanda, onde também tem feito pressão sobre o governo para não renegociar o acordo. Porque o partido recusa jurar vassalagem à coroa britânica, os sete deputados que elegeu para o parlamento em Westminster não assumiram as suas funções, mantendo uma tradição que remonta a 1918, quando a Irlanda ainda estava sob o domínio britânico.

O rival Partido Democrata Unionista (DUP), que defende o vínculo da região com o Reino Unido, é aliado do partido Conservador no parlamento britânico, sendo os 10 deputados do DUP essenciais para uma maioria que aprove leis e decisões do governo de Theresa May. Porém, o DUP reprovou o acordo rejeitando o 'backstop' porque este alinha a Irlanda do Norte com o mercado único europeu e com regras diferentes das que vão ser aplicadas no resto do território britânico.

A vice-presidente do Sinn Féin lamenta a incerteza sobre o processo do 'Brexit' que está a afetar cidadãos e empresas na província britânica, pois grande parte da atividade económica depende da livre circulação de pessoas e bens através da fronteira. Michelle O'Neill lembrou que a maioria dos eleitores da Irlanda do Norte, 56%, votaram pela permanência na UE, e que "estão a ser arrastados para fora da UE".

Os acordos de paz para a Irlanda do Norte determinam que um referendo sobre a unificação com a República da Irlanda se justifica quando existir uma maioria da opinião pública a favor, e a vice-presidente do Sinn Féin acredita que pode acontecer. "Não são apenas os republicanos que estão interessados, existem pessoas com um passado unionista que também apoiam. Está na altura de um debate racional e inclusivo sobre acabar com a fronteira na Irlanda de uma vez por todas", argumentou.