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Ameaçada pela família, Hind fugiu do Dubai. “Tive de deixar os meus filhos, não tive outra escolha”

A mulher de 42 anos diz ter sido ameaçada pela família quando pediu o divórcio do seu marido. Está detida desde 7 de dezembro num centro de imigração e agora receia ser deportada para os Emirados Árabes Unidos. “Não há razão para acreditar que, se regressar, enfrentará um risco real de ferimentos graves”, dizem autoridades macedónias

Uma mulher que fugiu dos Emirados Árabes Unidos pede ajuda internacional depois de a Macedónia do Norte lhe ter recusado um pedido de asilo.

No vídeo acima, publicado no Youtube e na rede social Twitter, Hind Mohammad Albolooki, de 42 anos, diz que fugiu do Dubai na sequência de ameaças familiares quando pediu o divórcio do seu marido. “Eles não querem que o nome [da família] fique manchado”, refere. Quando lhe tentaram tirar o passaporte, Albolooki decidiu fugir. “Sou mãe de quatro filhos. Nenhuma mãe deixaria os seus filhos assim. Mas eu tive de deixar os meus filhos. Não tive outra escolha”, lamentou-se.

Fugiu sem sapatos

Segundo Nenad Dimitrov, um amigo macedónio que tem gerido a conta de Twitter de Albolooki desde a sua detenção, a mulher fugiu da família a 2 de outubro do ano passado depois de a terem autorizado a ir à casa de banho. Sem sapatos, Albolooki escondeu-se numa zona de obras antes de apanhar um táxi até à casa de um amigo. Daí terá apanhado um avião para o Bahrein, contactando Dimitrov para que este a ajudasse a comprar bilhetes de avião para a Macedónia do Norte por recear comprá-los ela própria com o seu cartão de crédito.

Albolooki chegou à Sérvia através da Turquia antes de desembarcar na Macedónia a 4 de outubro, tendo pedido asilo duas semanas mais tarde. Está detida desde 7 de dezembro num centro de imigração e receia ser deportada para o seu país de origem.

“Não há provas de perseguição”

O pedido de asilo foi rejeitado a 4 de fevereiro. Em comunicado, o Ministério do Interior da Macedónia do Norte justificou a recusa com a inexistência de “provas de perseguição devido à raça, religião, nacionalidade ou filiação política”. Também “não há razão para acreditar que, se regressar [ao Dubai], enfrentará um risco real de ferimentos graves”, acrescentou a tutela. Desde então, o Governo macedónio deu 15 dias a Albolooki para deixar voluntariamente o país.

No mês passado, Rahaf Mohammed al-Qunun, uma jovem saudita de 18 anos que fugiu da família e se barricou num quarto de hotel na Tailândia, conseguiu asilo no Canadá. Rahaf também usou o Twitter para tornar pública a sua situação, incluindo os alegados abusos da família e a sua decisão de renunciar ao Islão, e o seu pedido de asilo rapidamente correu mundo.