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Rússia pondera ‘desligar-se’ temporariamente da Internet mundial

ALEXEY DANICHEV/GETTY IMAGES

O exercício, que ainda não tem data marcada mas espera-se que ocorra antes de 1 de abril, é feito na sequência de um projeto-lei apresentado na Duma, o Parlamento russo. A ideia é a de testar a capacidade da Rússia de resistir a ameaças de cibersegurança

A Rússia está a considerar a possibilidade de ‘desligar-se’ temporariamente da Internet mundial para testar a sua capacidade de resistir a ameaças de cibersegurança, mantendo a informação trocada entre utilizadores na Rússia dentro do país, em vez de estar alojada em servidores internacionais.

O exercício, que ainda não tem data marcada mas espera-se que ocorra antes de 1 de abril, é feito na sequência de um projeto-lei apresentado na Duma, o Parlamento russo, no final de 2018. De acordo com o documento, intitulado Plano Digital de Economia Nacional, os servidores nacionais devem ser capazes de operar no caso de haver um tentativa por parte de outros países de isolar a Rússia.

Tanto a NATO como os seus aliados ameaçaram no passado impor sanções à Rússia por causa dos seus alegados ciberataques e outras tentativas de interferência através da Internet.

O Plano Digital de Economia Nacional prevê que a Rússia crie o seu próprio sistema de nomes de domínio (DNS), responsável por associar endereços online a computadores onde esses sites ou serviços estão alojados, para que possa operar mesmo que as ligações para servidores externos sejam cortadas.

Também prevê que o tráfego de Internet na Rússia passe por pontos de fiscalização controlados pelo governo, em específico pela Roskomnazor, autoridade que monitoriza os meios de comunicação. Isto irá permitir filtrar o tráfego de forma a garantir que a informação trocada entre utilizadores na Rússia chegue ao destino, enquanto que a informação que tenha como destinatário um utilizador estrangeiro seja bloqueada. A Roskomnazor ficaria também responsável por garantir que o tráfego e informações trocadas entre utilizadores russos permanecessem dentro do país.

A iniciativa tem sido questionada e as comparações com a “Grande Cibermuralha da China” — que permite às autoridades chinesas controlar o acesso online e eliminar conteúdos considerados desadequados — abundam. Segundo vários órgãos de comunicação russos, a maioria dos operadores internos concorda com a iniciativa, mas está dividida quanto à forma de a concretizar. Acredita-se que o teste possa vir causar “uma enorme perturbação” no tráfego de Internet na Rússia.