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Primeira-ministra escocesa acredita que o país será independente nos próximos cinco anos

Drew Angerer/GETTY

O Brexit mudou tudo. A Escócia votou para permanencer na União Europeia por uma margem bastante clara - 62,2% contra 38% - e isso voltou a colocar a questão da independência em cima da mesa

Ana França

Ana França

Jornalista

Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, reiterou, numa entrevista à CNN, que acredita que o seu país será independente do Reino Unido nos próximos cinco anos - e reforçou as suas intenções em calendarizar um novo referendo logo depois de ser conhecido o acordo que o governo britânico conseguirá para o Brexit “ Num futuro não muito distante, penso que a Escócia vai ser um país independente com intenções de se juntar à União Europeia e de lutar por um lugar nas Nações Unidas”, disse Sturgeon a Michel Martin, que a entrevistou para o programa “Amanpour and Friends”.

Pressionada para oferecer uma baliza temporal mais definida para a consolidação da independência - “de três a cinco anos”, sugeriu o jornalista - Sturgeon acabou por confirmar que é esse o seu desejo: “Gostava muito de acreditar, e sim, acho que vamos [ser independentes]." O calendário exato para a marcação de um novo referendo, disse Sturgeon, será apresentado “nas próximas semanas” quando se souber “como acaba este processo negocial do Brexit."

O ‘timing’ para um novo voto com as implicações constitucionais deste tem provocado discussões intensas mesmo entre os apoiantes do partido nacionalista escocês (SNP), dirigido pela própria Sturgeon e de matriz fortemente independentista. Alguns pedem que esse voto sobre a independência aconteça ainda este ano, outros parecem preferir esperar mais um pouco.

A questão que muda, de 2014, data do primeiro referendo, para agora, é o resultado do referendo ao Brexit, ganho por quem quis cortar os laços com a União Europeia. Ora, não é esse o caso da larga maioria da população escocesa, mais europeísta do que o resto do Reino Unido: 62% das pessoas escolheram permanecer na Europa. É por esta razão que a primeira-ministra voltou a ter uma razão para pedir um novo voto.

“Estamos numa posição em que temos muito pouca independência, há um défice democrático acentuado que a Escócia enfrenta por ser parte do Reino Unido. Claro que isto faz muita gente querer olhar com novos olhos para a questão da independência”.

Na opinião de Sturgeon, quando esse segundo referendo acontecer, “a Escócia, desta vez, vai votar para ser independente”. Será uma forma, continuou, “de a Escócia proteger o seu lugar na Europa e de garantir que as decisões que afetam os caminhos do país são tomadas na Escócia e não em Londres”.