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Presidente iraniano acusa EUA e Israel de “complô” e promete continuar a desenvolver arsenal de mísseis

JIM WATSON/GETTY IMAGES

Hassan Rohani, Presidente iraniano, louvou a quantidade de pessoas que se reuniram esta segunda-feira em Teerão para participar nas comemorações do 40.º aniversário da revolução islâmica no país e foram, de facto, muitos os que estiveram presentes, munidos de cartazes com declarações de morte simbólicas: “Morte à América”, “Morte a Israel”, “Morte aos sauditas”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

“A presença das pessoas na rua hoje em todo o Irão mostra que o inimigo nunca conseguirá atingir os seus objetivos demoníacos”, afirmou esta segunda-feira o Presidente do Irão, Hassan Rohani, durante as comemorações em Teerão do 40.º aniversário da revolução islâmica no país.

De facto, foram muitos os iranianos que saíram de casa esta segunda-feira para assinalar a data — milhares segundo alguns meios de comunicação iranianos, milhões segundo outros. Na capital do país, os participantes reuniram-se na praça Azadi [Liberdade], muitos deles munidos de cartazes com declarações de morte simbólicas: “Morte à América”, “Morte a Israel”, “Morte ao regime saudita”, segundo a “Al-Jazeera”, que esteve no local.

Foi também ali que Hassan Rohani discursou, garantindo que o Irão vai continuar a desenvolver o seu programa de mísseis para “defender o país de ameaças externas”. “Não pedimos nem nunca pediremos permissão para desenvolver o nosso arsenal de mísseis. Tencionamos expandir o nosso poderio militar”, acrescentou o Presidente, segundo o qual está em curso um “complô” dos EUA, Israel e Estados “reacionários” do Médio Oriente contra o Irão.

Todos os anos, a 11 de fevereiro, são organizadas manifestações para comemorar a queda do regime do xá Mohammad Reza Pahlavi depois de o ayatollah Rouhollah Khomeini ter retornado do seu exílio de 15 anos e ter sido recebido no país como um herói nacional. “A revolução de 1979 salvou o país da tirania, colonização e dependência”, afirmou ainda Hassan Rohani durante o seu discurso, sublinhando que o Irão conseguiu, ao longo do tempo, “estabelecer um sistema de governo independente” e “frustrar as conspirações dos EUA e de Israel”. Foi anunciada ainda pelo Presidente iraniano uma amnistia em massa que abrangerá um quinto dos prisioneiros detidos em prisões iranianas.

De acordo com a AFP, o número de participantes na manifestação desta segunda-feira foi crescendo ao longo do dia e foram montadas barracas com chá e bolos na praça na praça Azadi. Em exibição, estiveram duas réplicas de mísseis balísticos fabricadas no país e foram apresentados ao público modelos em larga escala de mísseis de cruzeiros. A segurança foi reforçada face ao ano anterior, uma vez que no passado um homem abriu fogo sobre uma marcha militar em Ahvaz, no sudoeste do país, durante as comemorações do 30.º aniversário do fim da guerra entre o Irão e o Iraque, e matou cerca de 30 pessoas, ferindo outras tantas.

As manifestações desta segunda-feira estenderam-se a outras cidades iranianas, nomeadamente Mashhad, segunda cidade com mais população, localizada no nordeste do país. Apesar da mobilização, a população iraniana encontra-se dividida entre aqueles que defendem uma implementação de leis conforme elas existiam há 40 anos e os reformistas, que não desistem de apelar a uma maior transparência económica e a mais liberdade no Irão.

Economicamente, o país enfrenta vários desafios, muitos deles resultantes das sanções impostas pelos EUA que vieram inviabilizar possíveis negociações e trocas comerciais com as potências europeias. Segundo um inquérito realizado pela IranPoll, empresa de sondagens iraniana, e publicado em dezembro de 2018, a maioria dos iranianos considera que os problemas económicos que o país enfrenta resultam da corrupção e de uma má gestão interna. Mas Rouhani deu a entender ter uma solução para isso.“O povo iraniano terá algumas dificuldades económicas devido às sanções mas vamos resolver os problemas ajudando-nos uns aos outros”, afirmou ainda.