Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

EUA. Negociações sobre segurança na fronteira fracassaram, novo shutdown no horizonte

SANDY HUFFAKER/AFP/Getty Images

Os democratas propuseram reduzir o número de camas nos centros de detenção dando em troca parte do dinheiro que os republicanos querem para a construção de barreiras físicas. Trump disse que a proposta protegeria os criminosos. Na sexta-feira, expira o financiamento do Departamento de Segurança Interna e de outras agências e pode haver nova paralisação

As negociações sobre segurança na fronteira dos EUA com o México fracassaram depois de democratas e republicanos não se entenderem sobre a política de detenção de imigrantes. Caso o impasse se mantenha, ganha força o cenário de um novo shutdown.

O senador republicano Richard Shelby confirmou este domingo ao programa de televisão “Fox News Sunday” que “as negociações estão paralisadas neste momento”. O impasse prende-se com a vontade dos democratas de limitarem o número de camas em centros de detenção para pessoas que entram ilegalmente nos Estados Unidos. No mesmo programa, o senador democrata Jon Tester desvalorizou qualquer interrupção nas negociações. “É uma negociação. As negociações raramente seguem suavemente até ao fim”, disse Tester, um dos 17 negociadores.

Enquanto Tester afirmou esperar que um acordo possa ser alcançado, Shelby colocou as hipóteses de se alcançar um acordo nos 50% para um lado e para o outro. Segundo avançou uma fonte à agência Reuters, sob a condição de anonimato, não foram marcados outros encontros.

Prazo para negociações expira na sexta-feira

Os esforços para resolver a disputa sobre o financiamento da segurança na fronteira estenderam-se ao fim de semana e um painel especial de negociação do Congresso tentava chegar a um acordo até esta segunda-feira. O prazo destinava-se a permitir que a legislação fosse aprovada na Câmara dos Representantes e no Senado e assinada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, até sexta-feira, o dia em que expira o financiamento do Departamento de Segurança Interna e de outras agências federais.

A 25 de janeiro, Trump aceitou pôr fim a 35 dias de paralisação parcial do Governo norte-americano sem receber os 5,7 mil milhões de dólares que exigira do Congresso para a construção de um muro ao longo da fronteira com o México. Em vez disso, foi alcançado um acordo de gastos para três semanas enquanto decorrem as negociações.

Menos camas em troca de mais dinheiro para muros

Um dos pontos críticos é o pedido dos democratas de financiamento de menos camas para pessoas presas pelos agentes da imigração e alfândega dos Estados Unidos. Os republicanos querem aumentar o número de camas como parte da sua campanha para acelerar as deportações de imigrantes.

Os democratas propuseram reduzir o número de camas dando em troca aos republicanos parte do dinheiro que estes querem para a construção de barreiras físicas, disse a fonte à Reuters. Deste modo, os agentes seriam forçados a concentrar-se em prender e deportar verdadeiros criminosos e não imigrantes cumpridores da lei, acrescentou.

Trump acusa democratas de protegerem criminosos

No domingo, Trump disse que a proposta democrata protegeria os criminosos. “Acho que os democratas na comissão de fronteiras não estão autorizados pelos seus líderes a fazerem um acordo. Ele oferecem muito pouco dinheiro para o muro de fronteira, que é desesperadamente necessário, e agora, do nada, querem um limite para [o número de] criminosos violentos condenados na prisão”, escreveu no Twitter.

Um responsável democrata referiu, por sua vez, que “as alegações de que esta proposta permitiria a libertação de criminosos violentos são falsas”.

Há um número crescente de republicanos no Congresso que dizem não aceitar outro shutdown. No entanto, o diretor do Orçamento da Casa Branca, Mick Mulvaney, afirmou que essa possibilidade não pode ser descartada.