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Mulheres sem filhos são as culpadas da crise demográfica e não os idosos, disse vice-PM japonês

Mehdi Taamallah/NurPhoto/Getty Images

Taro Aso já se desculpou depois de ter afirmado: “Há muitas pessoas estranhas que dizem que os idosos são os culpados mas isso está incorreto. As que não estão a dar à luz é que são o problema”. Em 2018, os nascimentos caíram para 921 mil, o número mais baixo em mais de um século. Declarações como as do vice-primeiro-ministro não são inéditas no país

O vice-primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, viu-se obrigado a pedir desculpas na sequência de declarações em que responsabilizava as mulheres que não têm filhos pelos problemas associados à baixa taxa de natalidade e ao envelhecimento da população.

No domingo, Aso, que também é ministro das Finanças, disse que os idosos estavam a ser injustamente escolhidos para explicar a crise demográfica do país. “Há muitas pessoas que dizem que os idosos são os culpados mas isso está incorreto. As que não estão a dar à luz é que são o problema. O envelhecimento da população, combinado com a diminuição do número de crianças, é a questão grave a médio e a longo prazo”, afirmou.

Na segunda-feira, o governante retratou-se depois de deputados da oposição o terem acusado de insensibilidade em relação aos casais que querem ter filhos mas não conseguem. Aso disse que a comunicação social retirou as suas palavras do contexto e que ele só tinha tentado destacar a ameaça que a taxa de natalidade em declínio representa para a saúde económica do Japão. Mas acrescentou: “Gostaria de retirar os meus comentários e serei mais cuidadoso com as minhas palavras nos próximos dias”.

Egoísmo, um fardo para o Estado e “máquinas de dar à luz”

Dados recentes mostram que no último ano a população japonesa sofreu um decréscimo recorde e que o número de nascimentos caiu para os 921 mil, o número mais baixo em mais de um século. Os especialistas atribuem a baixa taxa de natalidade a vários fatores, incluindo o alto custo financeiro de criar filhos, a falta de serviços de cuidados infantis e as longas horas de trabalho.

As declarações do vice-primeiro-ministro não são uma novidade no país. O jornal “The Guardian” recorda que em 2018 dois responsáveis do partido no poder acusaram os casais sem filhos de egoísmo, dizendo que as mulheres deviam ter pelo menos três filhos e que os solteiros são um fardo para o Estado. Já em 2007, o então ministro da Saúde, Hakuo Yanagisawa, descreveu as mulheres como “máquinas de dar à luz”, sublinhando ser um dever público delas aumentar a taxa de natalidade.