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Internacional

Executivo da Huawei detido na Polónia

SOPA Images/Getty Images

Weijinga W e um segundo indivíduo, funcionário da Orange, estão acusados de espionagem. Segundo o porta-voz dos serviços de segurança da Polónia, o caso não está relacionado diretamente com a Huawei Technologies, empresa envolvida num conflito diplomático que abrange os EUA, China e Canadá

Um executivo chinês da Huawei foi detido na Polónia, acusado de espionagem, anunciou esta sexta-feira o Governo do país, confirmando ter sido preso também, sob a mesma acusação, um funcionário polaco dos serviços de segurança estatal, antigo trabalhador da empresa de telecomunicações Orange.

Os meios de comunicação locais identificam os dois homens como Weijinga W. e Piotr D, e adiantam que o primeiro é um dos diretores da filial polaca da Huawei. Ambos ficarão detidos durante três meses. A serem considerados culpados, arriscam uma pena de prisão de até dez anos.

A notícia surge numa altura em que a multinacional chinesa tem estado sobre forte pressão, acusada de utilizar a sua tecnologia vendida no exterior para fins políticos ou de espionagem cibernética. A decisão de afastar a empresa chinesa das infraestruturas de telecomunicações nacionais foi já tomada por vários países, entre os quais o Reino Unido, Austrália e a Nova Zelândia; enquanto nos Estados Unidos foi assinado um despacho proibindo o uso pelo governo da tecnologia da Huawei e de uma outra empresa chinesa, a ZTE.

Mas, de acordo com o porta-voz dos serviços de segurança da Polónia, o caso desta sexta-feira não está relacionado diretamente com a Huawei Technologies.

“Esta situação está relacionada com ações individuais. Não está relacionada com a empresa para a qual ele trabalha", disse Stanislaw Zaryn, referindo-se a Weijinga W.

O gigante chinês limitou-se a tornar pública uma curta reação, recusando comentar o caso. Garantiu apenas estar a acompanhar a situação, acrescentando que a empresa “cumpre as leis nos países onde opera”, pedindo também “a cada funcionário que cumpra as regras nos países onde trabalham”. Por seu turno, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse estar “muito preocupado” e afirmou que Pequim solicitou “o respeito pelas leis e pela proteção efetiva de ambas as partes”.

Pingue-pongue de detenções

As notícias envolvendo a Huawei têm-se sucedido desde que no passado dia 1 de dezembro a sua diretora executiva, Meng Wanzhou, foi detida no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, por alegadamente ter violado as sanções impostas por Washington contra o Irão. Atualmente em liberdade, sob fiança, Meng aguarda que as autoridades norte-americanas apresentem ao Canadá um pedido formal de extradição - a não ser entregue, ficará automaticamente em liberdade.

Este episódio originou um conflito diplomático entre os três países envolvidos - China, Canadá e EUA - que se agudizou com as posteriores detenções em território chinês de dois cidadãos canadianos, acusados de colocar em risco a segurança nacional chinesa.

Ainda que a Huawei negue as acusações de que tem sido alvo, o facto de o fundador da empresa, Ren Zhengfei, ter servido anteriormente nas Forças Armadas tem alimentado as suspeitas em torno da multinacional.