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Internacional

Pastor que elogiou massacre de homossexuais é apanhado a recorrer a prostitutas, entre outros pecados

A hipocrisia de fundamentalistas religiosos não é nada de novo, mas Donnie Romero teve de se demitir de líder da própria igreja que fundou

Luís M. Faria

Jornalista

Donnie Romero, um pastor norte-americano que se tornou conhecido por louvar o massacre de 49 pessoas num clube gay da Florida em 2016, teve de abandonar a liderança da sua igreja depois de se descobrir que tinha recorrido a serviços de prostituição, além de fumar drogas e de se envolver em jogos de azar. Tudo pecados que, segundo o próprio reconheceu frente à sua congregação em Fort Worth, Florida, o tornaram "um marido e pai terrível".

A Igreja Batista Stedfast, fundada por Romero em 2014, faz parte de uma rede de igrejas fortemente homofóbicas ligadas a outro pastor, Steve Anderson. Romero atingiu fama internacional quando, após o massacre cometido no clube noturno Pulse por um muçulmano que se identificou como membro do Daesh, surgiu a elogiar o criminoso, dizendo ainda que esperava que as dezenas de feridos no hospital morressem e fossem para o Inferno.

"Esses 50 sodomitas", disse Romero, referindo-se aos mortos, são todos pervertidos e pedófilos, e são a escória da terra, e a terra agora está um pouco melhor. E vou um pouco mais longe, pois ouvi hoje nas notícias que ainda há dúzias desses maricas nos cuidados intensivos. Rezo a Deus para que termine o trabalho que aquele homem começou e acabe com as suas vidas, e amanhã de manhã eles estejam todos a arder no inferno, como os outros, para que não tenham mais oportunidades de fazer mal a crianças".

Agora, além da declaração de Romero a demitir-se, Anderson colocou um vídeo sobre a situação no YouTube. Explicando que "o maior pecado envolvido foi estar com prostitutas (na verdade, Anderson não especificou o sexo; o termo inglês é idêntico no feminino e no masculino) e também houve marijuana e jogo", anunciou o novo pastor da Igreja Stedfast, não menos anti-gay do que o seu antecessor.

As igrejas em questão são consideradas grupos de ódio extremistas por associações de direitos humanos. O próprio Anderson, além da homofobia, tem sido acusado de antisemitismo e em 2009 rezou pela morte do então presidente Barack Obama.