Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Erdogan elogia retirada americana da Síria mas avisa que tem de ser feita “com os parceiros certos”

Alex Wong/Getty Images

“A Turquia, que tem o segundo maior exército permanente da NATO, é o único país com o poder e o compromisso de realizar esta tarefa”, defendeu o Presidente turco. Erdogan advertiu igualmente que a comunidade internacional deve evitar repetir na Síria os erros cometidos no Iraque. Donald Trump fala agora numa retirada “a um ritmo adequado”

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, elogiou a decisão do seu homólogo dos EUA, Donald Trump, de retirar as tropas norte-americanas da Síria mas advertiu que a retirada deve ser feita com cuidado e “com os parceiros certos”. Num artigo publicado esta segunda-feira no jornal “The New York Times”, Erdogan reiterou o compromisso de Ancara de derrotar o Daesh (autoproclamado Estado Islâmico), e “outros grupos terroristas” na Síria.

A retirada “deve ser planeada cuidadosamente e executada em cooperação com os parceiros certos para proteger os interesses dos Estados Unidos, da comunidade internacional e do povo sírio”, escreveu Erdogan. “A Turquia, que tem o segundo maior exército permanente da NATO, é o único país com o poder e o compromisso de realizar esta tarefa”, acrescentou.

No texto, o Presidente turco advertiu igualmente que a comunidade internacional deve evitar repetir na Síria os erros cometidos no Iraque. “A lição do Iraque, onde [o Daesh] nasceu, é que declarações prematuras de vitória e as ações imprudentes que tendem a estimular criam mais problemas do que resolvem”, escreveu. E continuou: “O primeiro passo é criar uma força de estabilização com combatentes de todas as partes da sociedade síria. Somente um corpo diversificado pode servir todos os cidadãos sírios e levar a lei e a ordem a várias partes do país.”

Bolton corrige anúncio inicial de Trump

A 19 de dezembro, Trump disse que o Daesh tinha sido derrotado na Síria e anunciou a retirada de dois mil soldados americanos do país. Nos últimos dias, a Administração tem dado sinais de que a retirada não será tão rápida como inicialmente previsto.

Na segunda-feira, Trump escreveu no Twitter que os soldados americanos irão sair “a um ritmo adequado”, enquanto os EUA “continuarão a lutar contra o Daesh e a fazer tudo o resto que é prudente e necessário”.

As mais recentes declarações do Presidente norte-americano surgem na sequência da viagem do seu conselheiro de segurança nacional, John Bolton, a Israel, na qual este assegurou ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que a retirada não aconteceria antes “de o Daesh ser derrotado e incapacitado de se restabelecer”. Bolton também assegurou que o processo aconteceria de uma maneira que “garantisse absolutamente” a segurança de Israel e de outros aliados regionais.

Na segunda-feira, o conselheiro chegou à Turquia vindo de Israel para tentar fechar um acordo para os aliados curdos dos EUA. “Os turcos não devem levar a cabo ações militares que não sejam totalmente coordenadas e aceites pelos Estados Unidos, no mínimo, para que não ponham as nossas tropas em risco mas também para que atendam à exigência do Presidente [Trump] de que as forças da oposição síria que lutam connosco não sejam ameaçadas”, disse Bolton antes de se encontrar com Netanyahu.

Com o anúncio inesperado de Trump em dezembro, os aliados curdos no nordeste da Síria sentiram-se expostos, uma vez que a Turquia, que os considera terroristas, parecia preparada para avançar sobre eles.