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Dois soldados que participaram na tentativa de golpe de Estado no Gabão foram mortos

STEVE JORDAN/AFP/Getty Images

Os militares foram abatidos a tiro depois de agentes de segurança terem invadido as instalações da rádio nacional que os soldados tinham tomado. Na segunda-feira, o líder do golpe leu um comunicado a informar que os militares haviam tomado o controlo do Governo “para restaurar a democracia”. Guterres condenou a tentativa de derrubar o poder pela força

Dois dos soldados que participaram na tentativa de golpe de Estado desta segunda-feira no Gabão foram mortos, segundo o gabinete presidencial. Os militares foram abatidos a tiro depois de agentes de segurança terem invadido as instalações da rádio nacional que os soldados tinham tomado. Três outros encontram-se presos.

O líder do golpe, o tenente Kelly Ondo Obiang, esteve em fuga durante um curto período de tempo antes de ser encontrado escondido debaixo de uma cama. Foi ele quem leu a mensagem na rádio, autoproclamando-se “presidente do movimento patriótico de jovens das forças de defesa e segurança do Gabão”.

“A situação está calma. Os guardas tomaram o controlo de toda a área em redor da sede da rádio e da televisão”, disse o porta-voz governamental Guy-Bertrand Mapangou. Os generais do exército, a sociedade civil e os líderes da oposição mencionados na declaração dos rebeldes como potenciais apoiantes serão investigados, garantiu. O principal partido da oposição negou quaisquer ligações aos insurgentes.

Golpe “para restaurar a democracia”

Os soldados rebeldes entraram na estação de rádio depois de “neutralizarem” os agentes da polícia que se encontravam à frente do edifício, informou a agência de notícias AFP, citando um comunicado da presidência.

Na madrugada desta segunda-feira, o grupo de militares anunciou na rádio pública que estava em curso um golpe de Estado. O líder do golpe, ladeado por dois soldados armados, leu um comunicado a informar que os militares tinham tomado o controlo do Governo “para restaurar a democracia” no país.

Moradores da capital, Libreville, citados pela AFP, indicaram que tanques militares e veículos armados estão a patrulhar as ruas.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou entretanto a tentativa de golpe de Estado, afirmando opor-se a “mudanças no poder não constitucionais através da força”.

Presidente “doente e privado das suas faculdades”

Em outubro do ano passado, o Presidente Ali Bongo Ondimba sofreu um acidente vascular cerebral e encontra-se em Marrocos em convalescença. Na mensagem de Ano Novo, tentou acabar com os rumores sobre o seu estado de saúde, afirmando sentir-se bem. Para os insurgentes, a mensagem “reforçou as dúvidas sobre a sua capacidade para assumir a função de Presidente da República”.

A entourage presidencial montou uma encenação com um Presidente “doente e privado de muitas das suas faculdades físicas e mentais”, denuncia ainda a declaração lida na rádio, que também põe em causa a alta hierarquia militar e o “espetáculo desolador” de um país que “perdeu a sua dignidade”.

Ali Bongo Ondimba assumiu o poder em 2009, após a morte do seu pai, o ditador Omar Bongo, que liderava os destinos do país desde 1967.