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Tudo o que não se sabe sobre o incidente com drones em Gatwick

TOBY MELVILLE/Reuters

O incidente com os drones em Gatwick aconteceu há mais de uma semana mas continua sem se saber quantos drones foram lançados, quem os lançou e com que motivações. O chefe da investigação ao incidente chegou a questionar se a incursão dos aparelhos aconteceu de facto

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Já passou mais de uma semana desde o incidente com drones no aeroporto de Gatwick que levou ao encerramento do aeroporto durante mais de 24 horas, mas quase tudo continua por descobrir ainda. Não se sabe quantos drones foram, de facto, lançados e quem os lançou - os dois únicos suspeitos, um homem de 47 anos e uma mulher de 54, foram libertados - e com que motivações.

No meio disto, a polícia britânica mais não fez do que salientar que seria impossível fazer mais do que fez. “Em lugar algum do mundo encontrariam uma polícia que vos dissesse que conseguiria lidar com um drone. É um desafio muito difícil”, afirmou a comissário da Polícia Metropolitana britânica, Cressida Dick, numa entrevista à “BBC Radio 4”. A incursão dos drones está de tal modo envolta num manto de dúvidas que a dada altura o próprio chefe da investigação da polícia de Sussex questionou se ela teria de facto acontecido.

Os aparelhos foram vistos a sobrevoar as imediações do movimentado aeroporto situado no sudeste de Inglaterra no dia 20 de dezembro, uma quinta-feira. As instalações foram de imediato encerradas e cancelados ou desviados mais de mil voos, que afetaram as viagens de mais de 140 mil passageiros. O aeroporto acabou por ser reaberto no dia seguinte, depois de várias tentativas falhadas.

De cada vez que as autoridades tentavam reabrir as pistas, os aparelhos voltavam a aparecer. “O encerramento de Gatwick veio mostrar o quão facilmente a rede sofisticada de aviação global pode ser prejudicada por alguém com recursos limitados, o quão o sistema é vulnerável a ameaças e o quão difícil é encontrar os responsáveis por detrás dessas ameaças”, escreve o “New York Times”.

Um ato de terrorismo?

Esta semana, alguns membros do Parlamento britânico sugeriram que fosse a Polícia Metropolitana de Londres a tomar conta do caso, uma vez que esta tem valências para lidar com casos de terrorismo, mas ainda não se concluiu que o uso de drones se tratou de um ato terrorista - nem se concluiu o contrário.

Entretanto, a Polícia Metropolitana recusou investigar o caso porque isso “causaria um hiato na investigação” e limitou-se a disponibilizar recursos à polícia de Sussex. “Independentemente de quem assuma a liderança da investigação, devemos encarar isto como uma lição. Temos de trabalhar mais com as empresas privadas e com os militares, e temos de ser capazes de prevenir o uso criminoso de drones perto dos nossos aeroportos, independentemente das motivações de quem os usa”, afirmou Cressida Dick na mesma entrevista.

Vários especialistas e políticos de oposição sugeriram este ano ao Governo britânico chefiado por Theresa May que banisse o uso de drones num raio de cinco quilómetros, mas o pedido foi declinado e a distância de segurança aprovada foi de um quilómetro apenas.

Um relatório sobre o terrorismo publicado em 2016 por Toby Harris, deputado do Partido Trabalhista britânico, alertava para “o potencial dos drones para, acidentalmente ou não, afetar voos” e recomendava ao governo que “explorasse opções tecnológicas para melhorar a capacidade de restringir o uso de aparelhos ou mesmo desativá-los". Depois do incidente em Gatwick, o deputado acusou o governo de o ter ignorado e aos seus avisos. Entretanto, foi anunciado o uso de sistemas especiais para detetar a ameaça de drones, sem que tenha sido esclarecido, contudo, que sistemas são estes ou quando vão ser implementados.