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Internacional

Dados da telecomunicações confirmam que advogado de Trump foi a Praga em 2016 para falar com russos

Drew Angerer/Getty

O objetivo seria o de combinar estratégias para ocultar as ligações do milionário ao Kremlin, que ele próprio sempre negou

Luís M. Faria

Jornalista

"Nunca, nunca em Praga. Jamais em Praga". Foi assim que Lanny Davis, o advogado de Michael Cohen, se referiu no mês passado à suspeita de que o seu cliente, ex-advogado e 'fixer' de Donald Trump, teria ido a Praga durante a campanha presidencial de 2016 para se encontrar com agentes russos, a fim de acertar estratégias para ocultar as relações de Trump ao Kremlin.

A história de Praga é uma das informações que constam no famoso dossier elaborado pelo ex-agente secreto britânico Christopher Steele a pedido de adversários de Trump. "O dossier, o chamado dossier, menciona esse nome (o de Praga) 14 vezes.14 vezes. Falso", garantiu Davis. Trump também chama ao dossier "a pilha de lixo da vigarista Hillary". Mas outras informações do dossier que também careciam inicialmente de confirmação têm vindo a ser confirmadas por revelações posteriores.

Assim parece acontecer agora com esta. Segundo notícias agora saídas na imprensa americana, a presença de Cohen na capital checa (ou algures muito próximo da cidade) foi confirmada por dois 'pings' enviados pelo seu telemóvel que foram captados por torres de telecomunicações locais. Além disso, existe uma intercepção efetuada por um serviço de espionagem de leste que apanhou uma conversa entre russos onde é referida a presença de Cohen na cidade.

Robert Mueller, o procurador especial que investiga as ligações da campanha de Trump à Rússia, estará na posse destas informações há meses. Falta saber se o próprio Cohen também lhas transmitiu. Embora ainda em abril ele continuasse a negar ter estado em Praga ("não importa quantas vezes eles o escrevam. Eu nunca estive em Praga"), nos últimos meses aceitou colaborar com a investigação, e ainda não se sabe tudo o que contou.

Se os factos agora noticiados forem verdadeiros, representam um desenvolvimento preocupante para Trump. No contexto da altura, dificilmente se imagina outro motivo para uma viagem de Cohen a Praga - e para a negar posteriormente - que não fosse o de servir os interesses do milionário e candidato com quem então colaborava estreitamente.

Cohen tratava-lhe de assuntos que iam desde pagamentos para silenciar mulheres com quem Trump se envolvera até negociações para construir em Moscovo uma Torre Trump, cuja penthouse, no valor de 50 milhões, seria oferecida a Vladimir Putin. Para facilitar o negócio.