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Internacional

Meio milhar de crianças foram violentamente travadas nas fronteiras da Europa do Leste

ELVIS BARUKCIC/GETTY IMAGES

Organização Save the Children contabilizou mais de 1.350 casos de crianças refugiadas obrigadas a retirar-se em fronteiras do Leste europeu. Metade dos 900 menores que viajavam sozinhos ou separados dos pais revelam maus-tratos, roubos e perseguição com cães por parte da autoridades fronteiriços

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Um relatório da organização Save the Children, divulgado nesta véspera de Natal, avança que mais de 1.350 crianças refugiadas foram obrigadas a retirar-se das fronteiras da Europa de Leste entre janeiro e novembro deste ano. A organização não-governamental (ONG) sustenta que quase um terço dos pequenos migrantes foram impedidos de cruzar as fronteiras com recurso a violência policial, especialmente nos casos de crianças que viajavam sozinhas ou ficaram separados das suas famílias.

A maior parte destes incidentes ocorreu na fronteira entre a Croácia e a Sérvia, mas na Sérvia também houve crianças que foram empurradas das fronteiras da Bulgária, Macedónia, Grécia, Hungria, Roménia e Bósnia-Herzegovina. Segundo testemunhos recolhidos junto dos menores, as autoridades locais ou os guardas de fronteira a oeste dos Balcãs utilizaram gás pimenta para travar a sua entrada, contando que lhes foram retirados telemóveis e dinheiro.

Algumas das crianças revelam ainda situações em que foram perseguidas por cães, enquanto outras foram obrigadas a tirar a roupa e o calçado, tendo alguns dos pequenos refugiados permanecido reclusos em centros de detenção sem comida nem água. “A polícia húngara apanhou-nos, forçou-nos a sentar e bateu-nos violentamente e humilhou-nos, obrigando-nos a regressar à Sérvia. Despejaram água fria em cima de nós e incitaram os cães a perseguir-nos”, contou um rapaz de 14 anos proveniente do Afeganistão aos colaboradores da Save the Children.

A diretora do programa da ONG para a região dos balcãs, Jelena Besedic, afirma que a proteção das fronteiras pode ser feita com humanidade e sem recurso à violência, lembrando que as crianças já se encontram “muito vulneráveis” pela sua condição de migrantes. A organização afirma que o número de refugiados que chegam à Europa diminuiu ao nível mais baixo desde 2007.

“Com a chegada de poucos refugiados, os países europeus deviam ser capazes de tomar conta das crianças migrantes, concedendo-lhes asilo e cuidados, em vez de serem intimidadas, roubadas e agredidas por quem está numa posição de autoridade”, adverte Besedic.