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Internacional

Operação internacional contra o tráfico humano prende 49 pessoas

RODRIGO ARANGUA/Getty

Dezenas de potenciais vítimas de exploração sexual, algumas delas menores, terão sido salvas por esta iniciativa da Interpol

Luís M. Faria

Jornalista

Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, México, Nicarágua, Panamá e Perú. São os países que participam na Operação Andes, uma iniciativa de combate ao tráfico humano lançada este ano pela Interpol. Neste momento, 49 pessoas já se encontram presas, e dezenas de outras foram salvas de exploração sexual.

A operação foi lançada em fevereiro e compreendeu 44 mil controles de fronteiras, entre outras medidas. Como é habitual, a atividade criminosa objeto da ação era em muitos casos acompanhada por outras. Segundo o comunicado da Interpol, "grupos do crime organizado estavam a beneficiar de uma convergência de delitos e aproveitavam as mesmas rotas para várias atividades ilícitas".

Na Colômbia oito homens, entre os quais seis israelitas, ajudavam deliquentes sexuais a viajar entre países. Na República Dominicana foram resgatadas "30 potenciais vítimas de tráfico humano para fins de exploração sexual" (muitas das mulheres eram venezuelanas). No El Salvador foi preso um homem que tinha consigo imagens de abuso sexual de crianças, e na Nicarágua foi encontrado um grupo de 22 africanos e haitianos abandonados, entre os quais havia menores.

“Apenas a ponta do iceberg”

A maioria dos imigrantes agora encontrados são oriundos de países do sudoeste asiático, como o Nepal e o Bangladesh. Pagavam entre 15 e 30 mil dólares pela viagem até aos Estados Unidos. Isso incluia o fornecimento de documentos falsos; alguns dos imigrantes, por exemplo, viajavam sob a cobertura de tripulantes de um cargueiro.

O secretário-geral da organização, Jurgen Stork, acrescentou que o que agora se descobriu é apenas a ponta do iceberg. "Como resultado direto da Operação Andes, confiamos que os resultados crescerão nos próximos meses, golpeando as estruturas criminais que procuram lucrar com as vulnerabilidades dos outros".

Numa altura em que o presidente dos Estados Unidos fala incessantemente contra a emigração ilegal oriunda do México e de outros países latino-americanos, as informações agora reveladas pela Interpol confirmam que esses países também são usados por redes internacionais que traficam pessoas de outros lugares, por vezes situados em zonas opostas do planeta.