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Internacional

Estados Unidos preparam-se para retirar todas as tropas da Síria

DELIL SOULEIMAN/GETTY IMAGES

No Twitter, Donald Trump, Presidente norte-americano, escreveu que “derrotado o autoproclamado Estado Islâmico na Síria”, não há razão para manter 2000 soldados americanos em território sírio

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Os EUA estão a preparar-se para retirar todas as suas tropas da Síria, anunciaram fontes oficiais citadas por vários meios de comunicação, incluindo o “Washington Post” e a CNN.

No Twitter, Donald Trump, Presidente norte-americano, escreveu que “derrotado o autoproclamado Estado Islâmico na Síria [Daesh]”, não há razão para manter mais de 2000 soldados americanos em território sírio. Não deu, contudo, mais detalhes sobre o assunto.

Segundo as fontes ouvidas pelos referidos meios de comunicação, a decisão terá sido tomada na terça-feira e o Pentágono está a tentar demover Trump de avançar com a retirada das tropas, argumentando que se trata de uma “traição” aos militantes curdos e que isso dificultará, no futuro, os esforços dos EUA para ganhar a confiança de combatentes locais em países como o Afeganistão, Iémen e Somália. “Até ao momento, continuamos a trabalhar com os nossos parceiros na região”, afirmou Rob Manning, porta-voz do Pentágono, num comunicado citado pelo “New York Times”.

Há cerca de uma semana, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, avisou que iria lançar uma ofensiva precisamente sobre estes militantes curdos das Brigadas de Proteção Popular (YPG), que continuam a combater o Daesh ao lado das tropas americanas na Síria e que Ancara considera uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que combate o Estado turco desde 1984.

Embora a decisão tenha chegado como uma surpresa, acaba por não o ser inteiramente, uma vez que Trump já tinha prometido em campanha que, se vencesse as eleições, assumiria como uma das suas principais prioridades retirar as tropas americanas do território sírio. E se em abril aceitou prolongar ali a missão americana, foi porque não teve outra alternativa face às solicitações para que o fizesse.

Por outro lado, há quem acredite que Trump pretende apenas desviar as atenções de assuntos que têm causado polémica nos últimos dias, nomeadamente a investigação à interferência da Rússia nas eleições presidenciais americanas e a condenação de Michael Cohen, antigo advogado do Presidente dos EUA, a três anos de prisão, escreve o “New York Times”, citando uma fonte do Departamento de Defesa.

Notícia atualizada às 15h38