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Internacional

Ministro australiano da Saúde pede desculpa a mulheres afetadas por efeitos adversos de implantes vaginais

“Em nome do Governo australiano, peço desculpa a todas as mulheres [que sofreram] a agonia e a dor históricas que resultaram da implantação de redes e que provocaram resultados terríveis”, disse Greg Hunt. Muitas mulheres sofreram dores crónicas e debilitantes e um “impacto devastador” nas suas vidas, relações e carreiras, concluiu uma investigação do Senado. O Governo aceitou 12 das 13 recomendações feitas pela comissão

O ministro australiano da Saúde, Greg Hunt, pediu esta quarta-feira desculpa às mulheres afetadas pelos efeitos colaterais causados por implantes vaginais, reconhecendo décadas de “agonia e dor”. Os implantes de rede estão no centro de um escândalo de saúde que afeta mulheres em todo o mundo e que já levou a ações judiciais na Austrália, Canadá, EUA e Reino Unido.

Em março, uma investigação australiana concluiu que os implantes médicos, usados para tratar o prolapso de órgãos pélvicos e a incontinência pós-parto, destruíram muitas vidas. Mais de 700 mulheres no país moveram uma ação coletiva contra o fabricante Johnson & Johnson. No entanto, os advogados afirmam que podem ter sido afetadas cerca de oito mil mulheres.

“Em nome do Governo australiano, peço desculpa a todas as mulheres [que sofreram] a agonia e a dor históricas que resultaram da implantação de redes e que provocaram resultados terríveis. Isto tem sido um problema, ao longo de algumas décadas, em muitos casos”, disse o ministro australiano.

Sangramento, danos nos nervos e tecidos, órgãos perfurados e erosão de implantes na vagina

Uma investigação do Senado estima que os implantes de rede foram aplicados em cerca de 150 mil mulheres na Austrália nas últimas duas décadas, em muitos casos para ajudar a tratar complicações pós-parto. O tecido em forma de rede é fixado na parede da vagina para funcionar como um suporte para os órgãos, como a bexiga, mantendo-os no sítio certo e ajudando a controlar a incontinência ou o prolapso.

Os efeitos negativos relatados após a cirurgia incluem sangramento, danos nos nervos e nos tecidos, órgãos perfurados e erosão dos implantes na vagina. Muitas mulheres sofreram dores crónicas e debilitantes e um “impacto devastador” nas suas vidas, relações e carreiras, concluiu a investigação do Senado.

O Governo aceitou 12 das 13 recomendações da comissão do Senado, incluindo a notificação obrigatória dos efeitos adversos para as mulheres, mais informações sobre os riscos dos implantes e melhor preparação de médicos e cirurgiões. O Executivo também definiu pagamentos para a remoção dos implantes e tratamentos relacionados, não tendo aceitado a recomendação para uma auditoria retrospetiva dos procedimentos, citando problemas na sua implementação.