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Internacional

A fome esquecida do Sahel

Ollivier Girard

A má nutrição severa ameaça meio milhão de crianças só no Níger. Nem a OMS tem dados sobre a probabilidade de morte antes dos 5 anos

Cristina Peres

Cristina Peres

no Níger

Jornalista de Internacional

As mulheres distraem-se com o mantra provocado pelo movimento repetido das pontas dos véus enquanto esperam que as crianças voltem à vida tal como antes lá estiveram. Ao fundo da enfermaria, encostada ao topo da cama, uma mulher responde à minha presença descendo os olhos em direção ao colo, onde se enrola um bebé a chorar sem som, apenas capaz do gesto que retesa a pele da boca e do nariz. Pego na ficha pendurada aos pés da cama daquela criança, que parece pouco mais do que recém-nascida, e lá está a verdade registada a esferográfica de cor azul. Chama-se Youssouf, foi admitido três dias antes, tem 11 meses e pesa 4,300 quilos.

Há uma crise num território equivalente a França e a Alemanha juntas, três quartos do qual desértico, onde se passam e se espelham as fragilidades da região do Sahel. Em particular desde 2012, quando os conflitos armados no Mali e no lago Chade se expandiram, desencadeando ainda maior instabilidade económica, mantendo a pobreza persistente (20% da população é extremamente pobre) aliada ao rápido crescimento da população, num ambiente de extrema vulnerabilidade às alterações climáticas.

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