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Iémen. Mais um milhão de crianças em risco de fome. No total, são mais de cinco milhões

KHALED ABDULLAH/Reuters

“Num hospital que visitei, os bebés estavam demasiado fracos para chorar, os seus corpos esgotados pela fome”, disse a presidente da Save The Children. A ONG alerta para o aumento dos preços dos alimentos e para a queda do valor da moeda iemenita. O conflito à volta de Hodeida, que é a porta de entrada de muita da ajuda humanitária para as áreas controladas pelos rebeldes, continua a constituir uma ameaça séria

“Milhões de crianças não sabem quando ou se a próxima refeição chegará. Num hospital que visitei no norte do Iémen, os bebés estavam demasiado fracos para chorar, os seus corpos esgotados pela fome”, disse a presidente da organização não-governamental Save The Children Helle Thorning-Schmidt. A ONG alertou esta quarta-feira que mais um milhão de crianças corre o risco de sofrer de fome no país, subindo agora para 5,2 milhões o número de crianças nestas condições.

O aumento dos preços dos alimentos e a queda do valor da moeda iemenita estão a colocar mais famílias em riscos de insegurança alimentar. O conflito à volta da cidade portuária de Hodeida, que é a porta de entrada de muita da ajuda humanitária para as áreas controladas pelos rebeldes, representa uma outra ameaça séria, lembra a Save The Children.

O Iémen vive há mais de três anos em estado de guerra, que já provocou a morte a mais de 10 mil pessoas e desalojou mais de três milhões, sendo considerada a pior crise humanitária do mundo. O conflito levou a significativos atrasos no pagamento dos salários de professores e outros funcionários públicos, havendo pessoas que não recebem há quase dois anos.

Aqueles que são pagos têm de lidar com um aumento acentuado do preço dos alimentos, que já são 68% mais caros do que quando a guerra começou. No mesmo período, a moeda oficial perdeu quase 180% do seu valor, tendo atingido no início do mês o seu valor mais baixo de sempre, de acordo com a ONG.

“A cólera pode espalhar-se como um incêndio”

“Esta guerra arrisca-se a matar uma geração inteira de crianças do Iémen que enfrentam múltiplas ameaças, desde as bombas à fome e a doenças evitáveis como a cólera”, acrescenta a presidente da Save The Children. No final de julho, a responsável alertava que a cólera se poderia “espalhar como um incêndio” no país, “potencialmente infetando milhares de crianças e sobrecarregando completamente um sistema de saúde já debilitado.”

Na altura, a ONG já se mostrava particularmente preocupada com Hodeida, uma vez que a coligação militar saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que luta contra os houthis na parte norte do Iémen, ameaçava sitiar a cidade. “Hodeida pode transformar-se no grau zero para um novo surto da doença altamente contagiosa”, o que seria “devastador para as cerca de 350 mil pessoas que ainda não fugiram” dos combates, avisava então.