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Internacional

Empregados da Amazon subornados para retirarem do site críticas negativas

ABHISHEK N. CHINAPPA/REUTERS

Dado o enorme volume de tráfico comercial que transita pela Amazon, a empresa tornou-se um elemento chave nas vendas de muitas companhias, e as avaliações que lá aparecem podem ser decisivas

Luís M. Faria

Jornalista

A Amazon está a investigar suspeitas de que empregados seus têm vindo a transmitir dados confidenciais a vendedores, bem como a retirar do site críticas negativas aos produtos deles. A maioria dos casos centram-se na cidade chinesa de Shenzen. O esquema passará por intermediários que fazem a ligação entre os empregados da Amazon e os vendedores.

Em causa estão quatro tipos principais de infrações: venda de informação sobre métricas de vendas, hábitos dos consumidores, etc; informações sobre emails e pessoas que fazem comentários ou dão pontuações no site (permitindo às empresas contactá-las e tentar que elas mudem a sua avaliação); críticas negativas que são pura e simplesmente apagadas do site; e contas apagadas que são restauradas à revelia das regras.

Os pagamentos, segundo o artigo do diário “The Wall Street Journal” onde a notícia é desenvolvida, andam entre os 80 e os 2000 dólares (68,43 e 1710,8 euros, respetivamente). Para retirar uma crítica negativa do site, o custo são 300 dólares (256,58 dólares). A encomenda média nestes últimos casos é de cinco críticas, segundo as condições estabelecidas pelos intermediários, que utilizam um chat muito popular na China.

Um porta-voz da Amazon garantiu que a empresa tem "sistemas sofisticados para restringir e auditar o acesso à informação". Acrescentou que os abusos do sistema são punidos. "Se descobrirmos maus autores envolvidos nesse comportamento, tomaremos ação rápida contra eles, encerrando as suas contas de vendedor, apagando críticas, retendo fundos e recorrendo ao tribunal".

Dado o enorme volume de tráfico comercial que transita pela Amazon, a empresa tornou-se um elemento chave nas vendas de muitas companhias, e as avaliações que lá aparecem podem ser decisivas. Houve situações anteriores de manipulação onde a Amazon teve uma atitude enérgica, nomeadamente em 2015, quando a empresa processou sites que vendiam críticas falsas a produtos. Por grosso e a retalho.